Um céu de idéias Pintura de Maria Grazia Mancino Local: Itália
Uma janela com vista para o mundo. Assim pode ser traduzida a impressão que se revela aos olhos de quem abre um livro. E deve ter sido exatamente essa sensação que a pintora italiana Maria Grazia Mancino quis traduzir na tela ao lado. Um caminho sem limites, aberto diante dos olhos de quem lê.
O post que mais repercutiu Brasil que Lê - Agência de Notícias - 18/9/2008
Um tema postado no blog e que circulou na última edição da newsletter do blog repercutiu, nos últimos dias, no clipping eletrônico PublishNews. Trata-se de uma nota contando que a Associação Nacional de Livrarias (ANL) prepara um novo e ousado projeto. O objetivo é anunciar a quantas anda o consumo de livros pelas famílias brasileiras.
O Ministério da Cultura se prepara para comemorar, dentro de duas semanas, o primeiro aniversário do lançamento do Programa Mais Cultura, anunciado há um ano com certa pompa numa concorrida cerimônia em Brasília que reuniu o presidente Lula, ministros e personalidades do mundo da cultura. Passados exatos 12 meses, há uma certa apreensão nos corredores do ministério diante da possibilidade de algumas cobranças e críticas de setores da sociedade por causa da dificuldade de fazer o plano – colossal, por sinal – sair da prancheta. O blog – criado justamente para atuar como uma espécie de monitor do Observatório do Livro e da Leitura para acompanhar a execução das políticas públicas setoriais – procura prestar, aqui, um serviço ao governo e à própria sociedade fazendo um breve balanço sobre a quantas anda o programa.
PAC do Livro: o que foi anunciado e o que foi feito
Vale a pena anotar as metas anunciadas pelo Ministério da Cultura em 4/10/2007 para a área do livro e leitura. Ei-las:
1. Zerar o número de cidades sem bibliotecas. O que foi feito: faltavam bibliotecas em 613 municípios; restam, agora, 350 e tudo indica que a meta será cumprida antes do prazo.
2. Criar 4 mil pontos de leitura (de um total de 20 mil pontos de cultura). O que foi feito: a idéia é entregar 600 kits ainda em 2008. Só que o edital ainda não saiu.
3. Revitalizar 4.500 bibliotecas. O que foi feito: a idéia é apoiar 400 bibliotecas ainda em 2008 (R$ 55 mil cada). Mas o edital ainda não saiu.
4. Abrir 100 bibliotecas multiuso em áreas pobres e violentas das maiores cidades. O que foi feito: assinados termos para abrir e/ou ampliar em duas cidades, mas ainda não saiu do papel.
5. Publicar 9 milhões de livros a preços populares. O que foi feito: nada.
Sem meta numérica, também foi anunciada a criação do vale-cultura (que funcionaria na área como o vale-livro, para ser trocado em livrarias) e a implantação de programas de formação de bibliotecários e agentes de leitura com recursos do Ministério do Trabalho. O primeiro continua em estudos e o segundo aguarda a publicação de edital para dar início a um projeto ainda modesto. Embora não divulgado oficialmente, a idéia do MinC é investir R$ 300 milhões (de um total de R$ 4,7 bilhões) até 2010 em políticas do livro e leitura. Se correr, ainda dá tempo!
Uma bolsa de negócios literários para a América Latina
A Câmara Rio-Grandense do Livro promove em outubro, às vésperas da Feira do Livro de Porto Alegre, um congresso latino-americano para o mercado editorial. Com apoio da prefeitura da capital gaúcha e do Ministério do Turismo, a idéia é articular um espaço de negociação e troca de experiências entre editores, escritores e outros profissionais do livro dos países da região para incrementar a publicação de livros entre uns e outros. Como resultado imediato do encontro, a idéia é lançar uma espécie de bolsa de negócios literários da América Latina.
O presidente da Frente Parlamentar de Leitura, deputado federal Marcelo Almeida (PMDB-PR), teve uma agenda movimentada na Esplanada dos Ministérios nas duas últimas semanas em Brasília. Além de trocar figuras com o secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, José Castilho, o parlamentar foi recebido por um dos ministros mais influentes do governo para falar de livros e leitura. Ele começa a costumar uma teia de apoio mais do que necessária para a área do livro e leitura.
O próximo 29 de outubro, data em que se comemora o Dia Nacional do Livro, não deve passar em branco este ano. A Frente Parlamentar de Leitura está organizando várias mesas de discussão na Câmara dos Deputados para fazer aquecer, em Brasília, algumas agendas políticas que não podem cair no esquecimento. Uma delas é a criação do Fundo Nacional Pró-Leitura. Outra é a mais do que necessária institucionalidade da gestão da área do livro e leitura no governo federal.
A Fundação Biblioteca Nacional patrocina uma silenciosa porém articulada movimentação para não deixar escapar pelos dedos as responsabilidades pela execução das políticas públicas do livro e leitura dentro do Ministério da Cultura, que herdou com a extinção, em 2001, da Secretaria Nacional do Livro e Leitura. Além de poder, o que está em jogo também é o controle dos orçamentos que podem ser engordados diante de uma possível criação do Fundo Pró-Leitura. O problema, na avaliação do próprio ministro Juca Ferreira, é que a FBN não dá conta de fazer bem as duas coisas – zelar pelo oito maior patrimônio literário mundial e, ainda, popularizar o acesso aos livros e à leitura nos quatro cantos do Brasil. A conferir.
A Liga Brasileira de Editores, a Libre, prepara para a próxima semana a sua Primavera dos Livros, que vai acontecer no Centro Cultural São Paulo, na Rua Vergueiro, no bairro do Paraíso. O tema deste ano será A Cidade de Todos os Povos – São Paulo, Viagens e Migrações. A festa começa na quinta (25/9) e segue até domingo. Estão previstas rodadas de negócio, palestras, workshops e encontros temáticos. São todos editores de pequeno porte com um papel extraordinário para a cultura nacional: são eles os guardiões e responsáveis diretos por um patrimônio valiosíssimo da literatura brasileira: a sua bibliodiversidade.