A Universidade Anhembi Morumbi, que mantém um concorrido curso de formação de profissionais para o mercado editorial, quer discutir melhor os multimeios na produção editorial. Este é o tema do simpósio que vai acontecer durante toda a próxima semana em seu campus em São Paulo. A instituição quer avaliar o impacto disso sobre a leitura no Brasil. Confira aqui a programação.
Bibliotecários e estudantes de Biblioteconomia de Brasília tiveram uma boa experiência de participação cidadã nesta quinta-feira (23/10): foram a uma audiência pública na Câmara Legislativa do Distrito Federal para debater a situação das bibliotecas locais. Levantaram questões que vão desde a inexistência de instalações físicas adequadas até a situação dos profissionais da área e a ausência de orçamentos, pessoal qualificado e políticas de formação e desenvolvimento de acervos. A iniciativa foi de um deputado distrital (Milton Barbosa) e acabou tendo o apoio do Conselho Regional de Biblioteconomia, da Associação dos Bibliotecários do DF. Este é um caminho mais do que válido para fortalecer a mobilização e provocar avanços nas políticas do livro e leitura nos estados. Parlamentares dispostos a apoiar a causa nos estados podem ter um papel importante nessa história.
Alagoas está com uma agenda carregada para a área do livro e leitura neste início de novembro. Vão acontecer entre os dias 3 e 7/11 o IV Encontro Alagoano do Proler, o II Encontro Estadual de Gestores de Bibliotecas Públicas e, ainda, o I Fórum do Plano Estadual do Livro e Leitura. O eixo temático é bem cativante: A Leitura e Redes de Bibliotecas para uma Alagoas Sustentável. Para se inscrever, basta entregar dois livros infantis. Eles serão doados à Biblioteca do Estado e à Biblioteca Volante.
A Fundação Biblioteca Nacional aproveitou o III Simpósio Latino-Americano de Bibliotecas Públicas, que sediou, para promover uma nova edição do Encontro Nacional do Sistema de Bibliotecas Públicas, que reúne os responsáveis pelos sistemas nos estados. Além de debater temas como gestão da informação nas bibliotecas públicas, que deu o tom aos encontros, foram reapresentados e discutidos o programa Mais Cultura, lançado há um ano pelo Ministério da Cultura, e o Plano Nacional do Livro e Leitura.
Governos, entidades do livro, empresas, univerdades, ONGs e até o Congresso prepararam sua programação para comemorar, em grande estilo este ano, o Dia Nacional do Livro. A data será lembrada na próxima quarta-feira (29 de outubro), mas muitos festejarão a semana toda. A semana termina com a festa de celebração dos 50 anos do Prêmio Jabuti e a premiação dos vencedores deste ano, em São Paulo. Confira, abaixo, a programação. E escolha seu jeito de celebrar o livro, maior invenção da humanidade no milênio passado e algo que, decididamente, temos em comum.
A Fundação Dorina Nowil para Cegos promove nesta quinta e sexta-feira (23 e 24/10), em São Paulo, o Encontro Latino-americano de Produtores de Livros Digitais Acessíveis. Além de discutir os avanços ocorridos nos países para ampliar o acesso à leitura aos deficientes visuais, as lideranças vão tentar criar um consórcio no continente para compartilhar técnicas e as aplicações desenvolvidas. (Leia mais) Quando se fala em democratizar o acesso à leitura, é imprescindível incluir nessa conversa os deficientes visuais, idosos, pessoas com baixa visão e disléxicos.
Considerando que a religião islâmica tem cerca de 1,3 bilhão de seguidores, o Alcorão - ou Corão -, livro sagrado do islamismo, é apontado por muitos como o livro mais lido do mundo. Os muçulmanos não tocam nele senão após a ablução, um rito de purificação presente em muitas religiões. Normalmente, eles guardam o Alcorão numa prateleira alta do quarto, em sinal de respeito, e alguns transportam pequenas versões consigo.
Os posts que mais repercutiram Agência Brasil Que Lê - 23/10/2008
Alguns temas postados no blog ou que circularam na última edição da newsletter do blog repercutiram, nos últimos dias, nas principais publicações do mundo do livro. Notícias sobre o Fundo Pró-Leitura foram as mais destacadas.
O Instituto Pró-Livro e a Imprensa Oficial do Estado vão promover um circuito de palestras e sessões de autógrafos do livro Retratos da Leitura no Brasil, que publicaram em co-edição. O objetivo é divulgar e debater os números da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, maior estudo (encomendado pelo Instituto e aplicado pelo Ibope) já realizado no País sobre o comportamento leitor da população. Na próxima semana, por exemplo, estão previstas três apresentações (veja, abaixo, em Agenda Boa!): em São Carlos (SP), em Brasília e em São Paulo. Pelo menos seis outras apresentações já estão agendadas para novembro em Manaus, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo e Ribeirão Preto (SP).
A Livrarias Curitiba, do Paraná, encontrou uma maneira politicamente correta e cidadã para comemorar, no próximo dia 29/10, o Dia Nacional do Livro. Vai promover uma caminhada cultural pelas ruas da capital paranaense como forma de chamar a atenção para a questão do livro e da leitura. Vários escritores já confirmaram a participação. A livraria vai dar camisetas para os 200 primeiros que confirmarem presença. Também deixará alguns livros em vias públicas da cidade para que sejam passados adiante.
Deputados e senadores vão comemorar, pela primeira vez, o Dia Nacional do Livro com um seminário sobre essas políticas públicas setoriais em Brasília. Pode parecer só mais um item na boa programação deste ano, mas não é. A combinação é duplamente alvissareira. Primeiro, porque já havia um bom tempo a data vinha passando quase despercebida. A maior prova disso é que em 2003 o presidente da República assinou a Lei do Livro – o mais importante marco regulatório do livro e da leitura no Brasil! – justamente no dia... 30 de outubro. Quase acertou na mosca, mas teria sido por mero acaso. Tem sido mais comum por aqui celebrar o dia 23 de abril, que é o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor. Muito mais por ainda não termos percebido a importância de ter e celebrar uma data nacional (até para servir de referência para, no mínimo, ser lembrada) do que qualquer outra coisa.
Nem todo mundo que ocupa posição de liderança em torno do tema livro e leitura no País se deu conta. Mas tem um significado todo especial a iniciativa do Congresso, via Frente Parlamentar da Leitura, de convocar uma discussão com representantes do governo e da sociedade, além do próprio Legislativo, para marcar a data. Ao entrar em cena um poder político de tamanha relevância na sociedade, o parlamento pode desequilibrar esse jogo - de empate técnico e, às vezes, com vitória da inação por WO – em favor dos avanços institucionais na área do livro e leitura. Afinal, o governo tem sinalizado que gostaria de criar o Fundo Pró-Leitura e uma secretária ou instituto nacional do livro e leitura. Mas não tem tido força ou vontade política suficiente para tal. Nessa hora, o Parlamento pode dar o empurrão que falta.
Leitura e seu papel transformador no dia-a-dia das pessoas. Esse foi o tema da conferência que abriu, nesta quarta-feira (22/10), o segundo dia do Encontro dos Técnicos Administrativos da Bahia, que reúne 750 funcionários, entre reitor, pró-reitores, diretores e técnicos da Universidade do Estado da Bahia, em Salvador. Para que serve a leitura? Por que as pessoas lêem? Como os livros podem transformar o nosso dia-a-dia e nos tornar pessoas melhores. Foi uma bela conversa.
O Ministério da Cultura começou a discutir, nesta terça-feira (21/10), em São Paulo, sua proposta de mudança na legislação sobre direito autoral com as entidades do livro. O secretário-executivo da pasta, Alfredo Manevy, e o coordenador da área do ministério, Marcos Barbosa, se reuniram com representantes de 14 entidades da cadeia produtiva do livro para debater o tema na Câmara Brasileira do Livro. A conversa foi boa e deve permitir uma redução das tensões entre as partes em torno do assunto. De maneira geral, os dois lados saíram com a impressão de que o outro não é nenhum bicho-papão. Nada como uma boa conversa.
As entidades do livro resolveram criar um grupo de trabalho para analisar cuidadosamente a proposta do Ministério da Cultura de mudanças na lei dos direitos autorais. Os editores querem correr atrás do tempo perdido: tem uma reunião marcada para quinta-feira e uma outra já para o dia seguinte. Só depois disso entregarão ao governo a posição da cadeia produtiva do livro sobre o estudo apresentado na CBL pelos emissários do ministro Juca Ferreira. É fundamental democratizar e dar transparência total a esse debate. Como, de resto, a todos os outros...
Passou bem pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados o projeto de Lei que muda o Código Civil, com objetivo de tentar por um fim à onda de proibição de biografias que continua a assolar o País. Semana passada terminou o prazo para a apresentação de emendas sem que ninguém o fizesse. Ainda bem. Agora, o texto do substitutivo do relator José Eduardo Cardoso (PT-SP), que deu voto favorável à proposta apresentada pelo deputado Antônio Palocci (PT-SP), segue – a menos que haja um abaixo-assinado de 20% da casa, o que não é provável – para uma tramitação semelhante no Senado. Ou seja, resolve na própria comissão, sem ir a plenário. O projeto foi proposto em maio. Se o trâmite continuar assim, há chance de, em pouco tempo, a modificação – motivada por um movimento iniciado aqui pelo blog – ser sacramentada. Será uma vitória da liberdade de expressão. Eventuais excessos continuarão, evidentemente, sujeitos às penalidades legais.
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, escalou dois graduados assessores da pasta para ir a São Paulo, na semana que se inicia, para explicar à presidente da Câmara Brasileira do Livro, Rosely Boschini, quais são suas reais intenções diante de toda a polêmica que começa a se estabelecer em torno da modificação das leis dos direitos autorais. Nos corredores da pasta, em Brasília, há quem diga que está sendo feito muito barulho por nada. A conferir.
A Câmara Brasileira do Livro manda um emissário esta semana a Brasília para discutir na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) uma forma de tentar remover a montanha de dificuldades para tramitar projetos para aprovação de livros de arte que buscam os incentivos da Lei Rouanet. Entre as editoras do segmento, a expectativa é geral.
A Associação Nacional de Escritores (ANE) publicou uma nota dura condenando a decisão judicial sobre o livro Sinfonia Minas Gerais: a Vida e a Literatura de Guimarães Rosa, de Alaor Barbosa, e a ação movida por herdeiros e editores do romancista contra a editora LGE, que editou a obra. E se diz no mínimo surpresa com a participação da editora Nova Fronteira no episódio por entender que a questão é resultando de “suscetibilidades entre herdeiros” por conta de uma disputa “inescrupulosa e aética”. Faz-se necessário uma ampla discussão nacional sobre a onda de proibições de biografias pelos mais distintos motivos. Um deles, sem dúvida, está ligado ao surgimento de uma indústria de indenizações, que une, em muitos casos, advogados, familiares e alguns interesses, digamos, não tão nobres. Um passo importante será, sem dúvida, a modificação do Código Civil, em tramitação na Câmara dos Deputados, para derrubar a base legal que dá amparo a essas ações.
A Frente Parlamentar Mista da Leitura fez sua primeira reunião nesta quarta-feira (15/10), em Brasília. O grupo já recebeu a adesão de mais de duas centenas de deputados e senadores e terá pela frente um papel fundamental: traduzir em maior apoio político em Brasília o prestígio e a simpatia que tradicionalmente a área do livro desperta em seus interlocutores, mas, geralmente, sem maiores conseqüências. A idéia partiu do deputado federal Marcelo de Almeida (PMDB-PR), ele próprio um leitor inveterado e responsável por um clube de leitura em Curitiba, onde fica sua base eleitoral. O parlamentar está entusiasmado e, em nome do livro e da leitura, fez nas últimas semanas contatos com pelo menos três influentes ministros do governo Lula, que o deixaram ainda mais animado. Marcelo vai, aos poucos, fazendo do tema sua grande bandeira de atuação no Congresso. Vem em boa hora a iniciativa: no momento em que puder contar no Parlamento com pelo menos meia dúzia de representantes altamente comprometidos com essa causa (como é o caso desse deputado paranaense) e aumentar seu poder de influência em Brasília, as políticas públicas do livro e leitura conseguirão, enfim, dar o vigoroso salto que necessitam e merecem. Afinal, não é nenhuma novidade: não se faz políticas públicas amplas sem poder, prestígio e orçamentos.
Os deputados e senadores que compõem a Frente Parlamentar da Leitura serão convocados a apresentar emendas ao Orçamento da União de 2009 destinando recursos para projetos de leitura no País. A proposta é do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e, se acatada, representará um importante apoio à questão do livro e da leitura no País. Basta lembrar que o Brasil está, hoje, conseguindo zerar o número de municípios sem bibliotecas (eram cerca de 1.300 em 2003) graças a uma emenda que o senador Tião Viana (PT-AC) fez passar na Comissão de Educação do Senado em 2005, no Ano Ibero-americano da Leitura (Vivaleitura), aumentando quase 20 vezes o minguado orçamento do Ministério da Cultura naquele ano. A estratégia é boa. Agora, é convencer pelo menos uma parte dos 200 deputados e senadores que integram a Frente a cumprir a lição de casa. A hora é agora!
O presidente da Frente Parlamentar da Leitura já avisou: a primeira briga será pela criação do Fundo Pró-Leitura, um projeto que adormece há quatro anos nos gabinetes do Ministério da Cultura e está pronto para ser encaminhado pelo governo ao Congresso. O Fundo será formado por 1% do faturamento anual do mercado editorial e livreiro e deve gerar, inicialmente, algo em torno de R$ 40 milhões anuais – número que deve dobrar, de acordo com as projeções - para financiar as ações previstas no Plano Nacional do Livro e Leitura. O Fundo, lembra Marcelo de Almeida, ainda não foi criado por pura falta de entendimento dentro do próprio governo. Além de Marcelo e Cristovam, participaram ativamente da primeira reunião da Frente os deputados Alex Canziani (PTB-PR), Barbosa Neto (PDT-PR), Luiz Carlos Setim (DEM-PR), Osmar Serraglio (PMDB-PR), Ratinho Júnior (PSC-PR) e Darcísio Perondi (PMDB-RS). Quem também apareceu por lá foi o presidente da Associação Nacional de Livrarias, Vitor Tavares.