Poder transformador Foto de The New York Times Local: La Gloria (Colômbia)
Um homem, dois burros e uma carga de livros. Assim, e carregando uma placa com a palavra Biblioburro pintada em letras azuis, Luis Soriano segue levando o maravilhoso mundo da leitura aos habitantes das pequenas vilas de La Gloria, região da Colômbia fatigada pela guerra. Na imagem ao lado, ele lê para crianças na vila de El Brasil. Soriano diz que a idéia surgiu após ele haver testemunhado, como jovem professor, o poder transformador da leitura entre seus pupilos, que haviam nascido em meio a conflitos ainda mais intensos do que quando ele era criança.
Os posts que mais repercutiram Agência Brasil Que Lê - 30/10/2008
Alguns temas postados no blog ou que circularam na última edição da newsletter do blog repercutiram, nos últimos dias, nas principais publicações do mundo do livro. Notícias sobre uma passeata pelos livros, sobre as comemorações pelo Dia do Livro no Congresso e sobre o grupo de trabalho que vai analisar a proposta do MinC na lei dos direitos autorais foram reproduzidas. Várias notícias sobre a recriação do Instituto Nacional do Livro e Leitura também ganharam destaque.
Qual a importância, afinal, de um seminário (veja a repecussão abaixo, em Destaques) para discutir políticas de fomento à leitura? Afinal, já não houve tantos deles nos últimos anos pelo País afora?! Ocorre que, agora, foi colocado o ingrediente que faltava para fazer o bolo do livro e da leitura crescer no Brasil. Todo mundo – governo, empresas, universidades, sociedade – já estava lá. Mas faltava um tempero – fundamental, por sinal: a entrada pra valer do Poder Legislativo nessa história. Porque é a partir de lá – que significa poder, prestígio e capacidade de convencimento do Executivo em caso de dúvidas ou hesitações - que muita coisa acontece. Agora, por exemplo, na hora de definir orçamentos e apoio político para medidas importantes, como a criação do Fundo Pró-Leitura e do Instituto Nacional do Livro e Leitura.
Muita gente ainda nem se deu conta, mas ainda vai entrar pra história este 29 de outubro de 2008. Ficará conhecido como o dia em que o Congresso tratou como assunto de gente grande o tema livro e leitura. Deputados, senadores e gente graúda do governo lá, atrás de soluções para o Brasil ler mais.
Com o Auditório Nereu Ramos, com mais de 300 lugares, lotadíssimo durante todo o tempo, o mundo do livro viveu um dia de glória neste Dia Nacional do Livro em Brasília. Presidentes das entidades do livro perceberam a importância do encontro e também estavam la. Ao final, o depoimento de uma antiga militante da causa da leitura traduziu bem o dia: - Pela primeira vez estou me sentindo hoje, aqui, uma cidadã representada nesta Casa.
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, tende a optar pela criação de um instituto para cuidar das políticas públicas do livro e leitura. Mas não deve ser uma mera recuperação do finado Instituto Nacional do Livro, fechado no governo Collor. Ele deve ganhar um L de leitura. O órgão teria o formato jurídico de uma autarquia e não de uma pasta de uma administração direta do ministério, como vinham reivindicando as lideranças do mundo do livro. Mas isso não será problema: a medida terá o apoio de todo mundo na área. Quem opera contra nos bastidores é a Fundação Biblioteca Nacional, que teme perder verbas e prestígio.
O ministro Juca Ferreira diz que está chegando a hora de mandar para o Palácio do Planalto a minuta da proposta para a criação do instituto para cuidar das políticas públicas do livro e leitura. Ao discursar nesta quarta-feira (29/10), Dia Nacional do Livro, na abertura do seminário organizado pela Frente Parlamentar da Leitura, no Congresso, ele aproveitou para pedir apoio para os deputados e senadores presentes. A resposta veio na hora: os parlamentares se comprometeram em aprovar.
Cresce no mundo do livro as apostas na escolha do nome do atual secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, José Castilho, para presidir o futuro Instituto Nacional do Livro e Leitura. Ele vem se credenciando não só pelo bom trabalho à frente do PNLL e bom trânsito junto ao MEC e às lideranças do meio como também pelo apoio que vem dando ao Ministério da Cultura para ajudar a tirar do papel os projetos internos do MinC na área do livro e da leitura, o Mais Cultura. Deve, assim, fazer dobradinha com Muniz Sodré, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, que faz um bom trabalho na BN no Rio. Deve dar uma boa soma: um cuidando da guarda (vocação da BN) e outro do fomento à leitura.