Levantamento do Sistema Nacional de Bibliotecas mostra que ainda restam 362 municípios que não possuem nenhuma biblioteca pública no Brasil (eram 1.300 em 2003). As regiões onde a situação é mais crítica são o Nordeste e o Norte, onde, não por coincidência, os índices de leitura, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, também são os mais baixos do País. O estado em pior situação é o Piauí, onde nada menos do que 79 cidades não possuem esse serviço público essencial. Em seguida, aparecem a Bahia, com 67; a Paraíba, com 48; e o Rio Grande do Norte, com 28 cidades.
O Amazonas é o estado na região Norte que lidera a lista da falta de bibliotecas: ainda precisa abrir unidades em 24 cidades. Em seguida, aparece, no Centro-Oeste, Goiás, com 25 municípios sem elas. No Sul, o Rio Grande do Sul, estado conhecido por sua tradição leitora, amarga um triste quadro: é o único estado da região que ainda não tem bibliotecas em todas as suas cidades (elas inexistem em 13 localidades). No Sudeste, o papel feio fica com São Paulo, onde, segundo a Fundação Biblioteca Nacional, existem 15 municípios sem o equipamento. Ali, Espírito Santo e Rio de Janeiro já resolveram esse problema, enquanto que Minas Gerais ainda aparece com 4 cidades sem bibliotecas.
A maioria dos estados sem bibliotecas está no Nordeste: Alagoas (3), Ceará (2), Maranhão (11), Pernambuco (10) e Sergipe (3). No Norte, são os seguintes: Acre (2), Amapá (3), Pará (5), Rondônia (1), Roraima (5) e Tocantins (10). No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul (3). Vale a pena registrar: alguns dos estados que aparecem nessa lista suja da Fundação Biblioteca Nacional chegaram a alardear, há tempos, que haviam zerado seu déficit de bibliotecas.
A Fundação Biblioteca Nacional – responsável pela Biblioteca Nacional, no Rio, que acaba de completar 198 anos e é uma das mais importantes do mundo – anunciou, esta semana, a compra de mais 800 mil livros para serem distribuídos, em 2009, a 410 bibliotecas e 600 pontos de leitura que o Ministério da Cultura quer espalhar pelo País. As obras foram escolhidas por um grupo de especialistas e o edital de compra será publicado ainda em novembro. Cada biblioteca municipal será turbinada com mais 1.000 obras. Já as comunitárias – batizadas de Pontos de Leitura – receberão 600 títulos cada uma.
Não se fala em outra coisa no meio editorial que não seja a discussão em torno da proposta do Ministério da Cultura para modificar a atual legislação do direito autoral no Brasil. Pelo menos 14 entidades do livro vêm se reunindo com impecável freqüência na sede da Câmara Brasileira do Livro, em São Paulo, para avaliar o caso. Sete delas foram escaladas para integrar o grupo de trabalho constituído para propor alternativas à sugestão do governo. Três delas – Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel), Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros) e Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) – chegaram a escrever uma dura carta sobre o assunto. Acabaram desistindo de divulgar seu teor após um apelo do MinC.
Editores, livreiros e governo têm novo encontro marcado para a próxima terça-feira, em Brasília: todos estarão lá na audiência pública convocada pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados para debater as mudanças em curso na questão dos direitos autorais no País. A temperatura andou subindo nos últimos dias em São Paulo e alguns bombeiros foram escalados para acompanhar de perto – e intervir, se for o caso – na reunião do Congresso.
Ficou pronta a primeira versão do estudo O Livro no Orçamento Familiar, que aprofunda a investigação a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, sobre o consumo de materiais de leitura no Brasil. Encomendado pela Associação Nacional de Livrarias (ANL), com apoio das entidades do livro, o estudo foi feito pelo pesquisador Kaizô Iwakami Beltrão e deve ser uma importante contribuição para gerar maior conhecimento sobre o negócio do livro no Brasil. Os dados são de 2002 e 2003 e vão mostrar, pela primeira vez, o negócio do livro no País a partir da visão dos consumidores.
Começou esta semana em Porto de Galinhas, em Pernambuco, o Fliporto, festival internacional de literatura que começa a ganhar projeção nacional. No início da semana, teve início o Fliportinho, a edição infantil da festa que também já reúne mais e mais turistas do livro e se constitui em ponto de parada obrigatório para o que vem se constituindo numa espécie de rotas literárias nacionais. Está na boa companhia da Jornada de Passo Fundo, dos festivais de literatura de Parati, Ouro Preto e, a partir deste mês, de um outro que promete esbanjar charme e atrações: o Flifloresta, o festival internacional de literatura que vai acontecer pela primeira vez em Manaus.
Pegou muito mal a falta de atenção, este ano, do governo do Rio Grande do Sul para com a tradicionalíssima Feira do Livro de Porto Alegre. Às vésperas do início daquela que é a maior festa do livro do Brasil (mais de um milhão de visitantes em duas semanas na praça pública em um dos maiores eventos de livros a céu aberto do mundo), o Conselho Estadual de Cultura ainda não havia se dignado a apreciar a proposta de apoiar financeiramente a feira. Por fim, acabou por recomendar o apoio, mas já causando sérios prejuízos à organização do evento. Uma tremenda desafinada.
Fortuna literária Foto de 54ª Feira do Livro de Porto Alegre Local: Porto Alegre (RS)
Ler enriquece. Esse é o tema da campanha que anuncia a 54ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre (RS), que teve início no último dia 31/10 e vai até 16/11, na Praça da Alfândega. Para ilustrar o tema, foi escolhida a imagem de uma bela casa formada por livros como símbolo da riqueza que existe por trás da leitura. A festa é o maior evento do livro ao ar livre na América Latina.
Cumpro nas próximas duas semanas a seguinte programação:
07/11 (sexta-feira) Palestra para jovens de escolas públicas e alfabetização de adultos Tema: Os livros mudam o mundo! Local: EEEF Alpheu Gasparini – Ribeirão Preto (SP) Horário: 19h30
12/11 (quarta-feira) Bate-papo em Belo Horizonte* Tema: Proseado: Os vários retratos da leitura no Brasil 9º Encontro das Literaturas Local: Fundação Municipal de Cultura – Belo Horizonte (MG) Horário: 18h * Painel com a participação de Maria Antonieta Cunha, José Márcio Barros e Lília Virgínia Martins Santos. (Com sessão de autógrafos do livro Retratos da Leitura no Brasil, junto com a co-autora Maria Antonieta Cunha)
14/11 (sexta-feira) Palestra na Bienal do Livro do Ceará Tema: Retratos da Leitura no Brasil: O papel do estado, empresas e sociedade Local: Pavilhão da Bienal do Livro – Fortaleza (CE) Horário: 9h (com sessão de autógrafos do livro Retratos da Leitura no Brasil)
17/11 (segunda-feira) Palestra para jovens da escola pública Tema: Os livros mudam o mundo! Local: CEMEI João Gilberto Sampaio – Ribeirão Preto (SP) Horário: 19h30
18/11 (terça-feira) Palestra para jovens da escola pública Tema: Os livros mudam o mundo! Local: EEEM Prof. Otoniel Motta – Ribeirão Preto (SP) Horário: 19h
20/11 (quinta-feira) Palestra na Amazônia Tema: Retratos da Leitura no Brasil: O papel do estado, empresas e sociedade Festival Internacional da Leitura da Floresta Local: Manaus (AM) Horário: 8h30 (Com sessão de autógrafos dos livros Retratos da Leitura no Brasil e São Jorge e o Dragão)
21/11 (sexta-feira) Palestra para professores da escola pública do Amazonas Tema: Os livros mudam o mundo! Festival Internacional da Leitura da Floresta Local: Manaus (AM) Horário: 10h00
22/11 (sábado) IV Fórum de Editoração - Escola de Comunicação e Artes (ECA) – Campus da Universidade de São Paulo (USP) Local: MASP – São Paulo (SP) Horário: 16h