O Ministério da Cultura já definiu os cinco novos fundos que pretende criar para, ao lado do Fundo Nacional de Cultura, financiar as ações culturais no País. A novidade é que a área do livro e leitura (que também não havia sido lembrada na última reestruturação da pasta, no final de 2008, para tornar-se uma secretária ou instituto nacional, como tem sido repetidas vezes anunciado pelo ministro Juca Ferreira) não foi contemplada. A proposta integra o texto do anteprojeto da nova Lei Rouanet, que será colocado na internet para discussão no início da próxima semana. Durante um mês e meio, o governo vai colher sugestões para tentar aperfeiçoar o projeto original. O texto deve ir ao ar na segunda-feira (www.cultura.gov.br). A hora é de participar!
Em audiência semana passada na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, os ministros Juca Ferreira (Cultura) e Fernando Haddad (Educação) listaram os projetos e ações considerados prioritários para as duas pastas no Legislativo em 2009. Na Cultura: a proposta de emenda constitucional que determina 2% do orçamento da União para a preservação do patrimônio; o projeto de lei que institui o Plano Nacional de Cultura; e a criação de uma comissão permanente para a cultura na Casa. Na Educação: o projeto de lei que permite o abatimento das dívidas do financiamento estudantil aos alunos formados em Medicina e para o Magistério. Ficaram acertados novos encontros dos ministros com os parlamentares – Haddad nesta semana e Juca na próxima.
A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e o Instituto Pró-Livro disponibilizaram no site YouTube um vídeo sobre o lançamento do livro Retratos da Leitura no Brasil (que traz análises e os resultados da pesquisa homônima, realizada pelo IPL).
Nesta e na próxima semana, o Ministério do Desenvolvimento Agrário abre uma nova centena de minibibliotecas rurais no interior do Mato Grosso do Sul, Sergipe, Roraima e Paraiba. No MS, serão beneficiados assentamentos da reforma agrária e aldeias indígenas Kaiowá. Até o mês passado, o Programa Arca das Letras havia implantado nada menos do que 5.927 pontos de leitura em mais de 1.700 municípios brasileiros. São mais de 1,2 milhão de livros e 625 mil famílias do campo atendidas. A administração dessas bibliotecas é feita por um exército de 12 mil agentes de leitura. Elas podem ser instaladas em casas de moradores, associações ou qualquer outro local. Cada biblioteca já nasce com 200 exemplares e vai, aos poucos, crescendo. É um belo exemplo de ação de fomento à leitura.
Livro, leitura e a responsabilidade dos governantes
Dirigentes e lideranças em geral do mundo do livro e da leitura devem ficar atentos à articulação que teve início em Brasília para instituir uma espécie de Lei de Responsabilidade Educacional. A exemplo da congênere que colocou na pauta a questão da responsabilidade fiscal, a idéia é que governantes dos três níveis da Federação se obriguem a cumprir metas na educação. O tema livro e leitura – que tem passado ao largo de algumas articulações importantes no Congresso – não pode, dessa vez, ficar de fora.
Pegou muito bem a participação do ministro da Cultura, Juca Ferreira, no Seminário de Formação de Mediadores de Leitura, realizado semana passada em São Paulo. Juca discorreu com propriedade sobre diversos assuntos ligados ao tema, debateu e respondeu a perguntas e ainda voltou a prometer a criação de um instituto ou fundação nacional do livro e da leitura. Além do bom conteúdo, o encontro esteve repleto de personalidades do mundo do livro e da leitura. Ponto para o secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e da Leitura, José Castilho.
Alguns temas postados no blog ou que circularam na última edição da newsletter do blog repercutiram, nos últimos dias, nas principais publicações do mundo do livro. Notas sobre Apoio internacional ao PNLL, em que o ministro da Cultura, Juca Ferreira, ouviu rasgados elogios da Federação Internacional das Associações e Instituições Bibliotecárias sobre a experiência brasileira do Plano Nacional do Livro e Leitura; sobre os bibliotecários e seu papel social, com ênfase para o Dia do Bibliotecário, ganharam destaque. Uma homenagem a esses "missionários da leitura", com um vídeo apresentado pelo blog, também também foi notícia e mereceu cumprimentos de representantes da área do livro e da leitura.
Nem mesmo os pássaros, nos galhos da árvore, cantam. Preferem acompanhar a história que se passa no banco, entre o homem absorto na leitura e o livro, que o mantém cativo, boquiaberto e quase sem respirar. A imagem, criada por David Stewart, não mostra uma pessoa num ambiente de paz. Mas num conflito que, silencioso, vai transformando todos à sua volta, pelos fios que tecem e envolvem os apaixonados pelo re-viver de cada leitura.
A data de 14 de março faz jus a um profissional que tem um papel relevante (embora nem sempre considerado) na questão do livro e da leitura no Brasil. É o Dia do Vendedor de Livros, o sujeito que põe alguns exemplares debaixo do braço e atravessa o País atrás de alguém que se interesse por livros e nem sempre consegue chegar até eles – seja porque não existe uma livraria ou uma biblioteca por perto, seja por qualquer outro motivo. Muitas vezes mais do que muitos especialistas, esse cidadão sempre tem uma boa história na ponta da língua ou uma razão muito especial para, com simplicidade e uma objetividade singular, convencer gente que anda meio afastada dos livros a ler um. Ou, pelo menos, a comprar – e tê-lo por perto para qualquer eventualidade. Para celebrar a data, a Associação Brasileira de Difusão do Livro – que representa editoras, atacadistas, crediaristas, revendedores e vendedores de livro que atuam no chamado porta-a-porta – promoveu um jantar no sábado (14/3), em Aracaju, no encerramento do seu Salão de Negócios.
Entre janeiro e fevereiro, eles lotam algumas vans com até 18 pessoas cada uma. Partem de Aracaju, a capital de Sergipe, rumo ao Norte, ao Sul, ao Sudeste e ao Centro-Oeste do País. Vão parando de cidade em cidade. Às vezes, dormem em trailers, outras vezes em hotel e em certas cidades alugam casas onde podem ficar por um mês inteiro. Vão de casa em casa oferecer livros. Vendem em diversas parcelas e tem entre seus clientes principalmente pessoas pobres, que nunca entraram e talvez nunca entrem em uma livraria em suas vidas. Alguns ficam pelo caminho ou voltam mais cedo pra casa. Mas a maioria agüenta firme e, em dezembro, às vésperas do Natal, volta para a família, com a sensação do dever cumprido. São homens e mulheres do livro que, anonimamente e sem muita projeção, desempenham um papel silencioso e extraordinário em favor da leitura. Para se ter uma noção disso, basta dizer que esse pequeno exército de 30 mil vendedores visitam, a cada mês, de 3 a 4 milhões de casas pelo país afora. Para falar de livros...
Acaba de chegar ao mercado a revista Ler e Viver, a mais nova publicação voltada para o mundo dos livros no Brasil. Ela é resultado de uma parceria entre a Associação Brasileira de Difusão do Livro, a ABDL, com a agência Brasil Que Lê (que faz parte do Observatório do Livro e da Leitura) e a Imprensa Editorial, que edita a revista Imprensa, voltada para jornalistas. Já em sua primeira edição, a revista mensal já sai com 100 páginas e terá circulação mensal, destinada tanto às editoras, atacadistas, crediaristas, revendedores e vendedores de livro porta a porta como aos consumidores. Na capa, a bela história sobre como o ator Lima Duarte entrou por acaso em uma biblioteca e se apaixonou pelos livros.
A Rede de Escritoras Brasileiras, a Rebra (www.rebra.org), está em festa. Comemora, neste mês de março, 10 anos de existência. Em seu quadro associativo já acumula nada menos do que 3.080 escritoras, que se espalham por dez países. No rastro da boa experiência brasileira, alguns países estão tentando fazer semelhante movimento. E quando perguntam a sua fundadora e atual presidente, Joyce Cavalcanti, se em um país onde brilham nomes como Nélida Piñon, Lygia Fagundes Telles ou Lia Luft (sem falar de Clarice Lispector, Cecília Meirelles, Cora Coralina, que já se foram), entre tantas outras, seria necessária tal iniciativa, ela tem resposta na ponta da língua: – Provamos sua necessidade quando nos damos conta de que o Prêmio Nobel de Literatura foi instituído em 1901. De lá para cá, foram 106 distribuições – apenas 11 foram parar em mãos femininas...
Depois da Câmara Brasileira do Livro (que reelegeu Rosely Boschini em fevereiro) e da Associação Brasileira de Difusão do Livro (que reelegerá o atual presidente, Luis Antônio Torelli, no final do mês), a Associação Nacional de Livrarias também sinaliza com a continuidade da atual gestão. O presidente Vitor Tavares foi reeleito e já tomou posse, nesta terça-feira (17/3) para um mandato de mais dois anos no comando da ANL. Mais do que inapetência, essa tendência indica, na verdade, que as coisas parecem ir bem na política de classe do livro no Brasil. É certo que ainda há muito o que fazer, mas o rumo parece acertado. É um bom sinal!
Além de intensificar a parceria com as demais entidades da área, a ANL está disposta a aprofundar o foco em algo que cada vez mais tem feito parte de sua atuação na cadeia produtiva do livro. É a defesa dos pequenos e médios livreiros, também conhecidos no mundo todo como livreiros independentes – ou seja, aqueles que não integram as grandes redes do varejo e também não são grandes pontos de venda que têm no livro apenas mais um negócio (caso de magazines, hipermercados e grandes sites de vendas). A ANL ainda aposta na edição de uma lei de fomento ao livro e à leitura para tentar alguma regulação no mercado de livros no Brasil. E também na geração de mais estudos e pesquisas sobre o tema. Uma ótima notícia!
Mais poder político, apontam as entidades do livro
A plataforma de atuação da nova gestão da ANL aponta para algo que também esteve presente nos compromissos de campanha assumidos pela atual diretoria reeleita da CBL: a necessidade de fortalecer a representatividade política do mundo do livro e da leitura para ampliar a defesa dos interesses em comum em âmbito municipal, estadual e federal. A exemplo do que acontece em praticamente todos os setores organizados da economia, a área do livro e da leitura começa a pensar mais seriamente no assunto. A redução de R$ 150 milhões – ou 20% do total – nos programas de aquisição de livro do governo federal no orçamento da União em 2009 tem feito mais gente pensar no tema.