Diferentemente da obra de Umberto Eco, não podemos guardar o segredo que a todos merece ser revelado. Seu nome é próprio, real e insubstituível. Mas bem que José Mindlin poderia nascer rosa, para fazer do livro uma troca em par perfeito, como manda a tradição catalã. De certa forma, o faz, quando nos oferece Conversa no Mundo dos Livros (Agir), pela qual instiga o leitor a ser mais um dom quixote, ante os moinhos a ser derrotados pela força inexprimível da leitura.
No princípio era o verbo, e o verbo se fez... livraria
Nessa combinação perfeita de pessoas e livros, encontramos pelo caminho o braço forte que faz confluírem-se raízes e frutos: o livreiro. Palavra que traz consigo o sufixo de quem faz, assim como nós, batizados brasileiros, pela lida no pau-brasil. Dos livreiros, ao contrário do que se fazia com nossas árvores, brotam sementes de um nova criação - de sombra e luz - que pode ser visitada por meio do Pequeno Guia Histórico das Livrarias Brasileiras (Ateliê Editorial). A sombra fica por conta dos incautos ao negarem o livro. A luz - essa brota das mãos e do suor dos livreiros e autores Evaristo da Veiga, Ênio Silveira e Raimundo Jinkings.
Algo entre amistoso e respeitoso deu o tom no debate provocado nesta quinta-feira (2/4), em Brasília, pela Frente Parlamentar de Leitura para discutir a proposta de adoção de uma lei do preço fixo para o livro no País. A Associação Nacional de Livrarias, que lidera a defesa da ideia, de um lado, e o Sindicato Nacional de Editores de Livros, que discorda, do outro, fizeram um bom contraponto, recheado de argumentos contra e a favor. Já o economista Fábio Sá Earp, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que publicou um estudo sobre a cadeia produtiva do livro a pedido do BNDES, voltou a defender outras formas de estimular o acesso aos livros. Como exemplo, citou um melhor uso da Lei Rouanet para baratear as obras.
A Frente Parlamentar da Leitura agora vai reunir seus deputados e senadores para decidir se apoia ou não o projeto que tramita na Casa para implantar a lei (que já vigora em outros países). Mesmo sem qualquer decisão nesse sentido, o presidente da ANL, Vitor Tavares, disse que a discussão foi, para a questão, um “divisor de águas”.
Apenas seis parlamentares apareceram na audiência pública realizada na Câmara dos Deputados para debater a lei do preço do livro no Brasil. Mesmo assim, alguns deles passaram muito rapidamente pelo local para ouvir uma ou outra fala e se pronunciar a respeito, antes de se retirar para cumprir outros compromissos na Casa. Uma boa exceção é, sempre, o deputado federal Marcelo Almeida (PMDB-PR), que preside a Frente Parlamentar da Leitura e tem abraçado essa causa. Já os representantes da cadeia produtiva do livro comparecem em peso ao auditório.
Fomentar a leitura e apoiar ações de formação de agentes mediadores de leitura. Esta deve ser mesmo a prioridade do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) para 2009, segundo o secretário-executivo José Castilho. Até o fim do mês, ele levará uma comissão formada pelo PNLL e por participantes do Seminário Formação de Mediadores de Leitura, realizado em março, em São Paulo, para conversar sobre isso com o ministro da Cultura, Juca Ferreira. Eles levarão as propostas tiradas no encontro, que também serão encaminhadas ao ministro da Educação, Fernando Haddad. A realização de cursos de formação de mediadores (principalmente educadores, com envolvimento das universidades) está na pauta.
Cumpro, nas próximas semanas, as seguintes agendas para falar do tema livro e leitura:
Segunda-feira (13/4) Palestra para estudantes do Ensino Médio e EJA Tema: Os Livros Mudam o Mundo! Ciclo de Palestras do Clube de Leitura Palavra Mágica Local: EMEF Geralda Espin – Ribeirão Verde – Ribeirão Preto (SP) Horário: 20h
Quinta-feira (23/4) Palestra para professores da rede pública Tema: Escola, Esse Espaço Mágica da Leitura Seminário / Lançamento do Projeto Oficina Palavra Mágica de Leitura e Escrita Local: Theatro Pedro II – Ribeirão Preto (SP) Horário: 14h
Terça-feira (28/4) Apresentação para estudantes da USP Tema: Retratos da Leitura no Brasil: Papel do Estado, Empresas e Sociedade Ciclo de Palestras e Debates da ECA Auditório da ECA – Departamento de Jornalismo e Editoração – Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo (SP) Horário: 19h
Sexta-feira (15/5) Apresentação para pesquisadores Tema: Retratos da Leitura no Brasil: Neoleitores e Práticas Sociais da Leitura II Seminário Brasileiro Livro e História (www.uff.br/lihed) Local: Universidade Federal Fluminense (UFF) – Niterói (RJ) Horário: a definir
Sábado (16/5) Palestra para professores e gestores da rede pública e privada de ensino Tema: Sim, o jovem gosta de ler: um diagnóstico da leitura na escola e o que fazer para tornar a biblioteca um espaço vivo Educador Congresso Internacional de Educadores (www.educador.com.br) Local: ExpoCenter Norte - São Paulo Horário: 14h30
Quarta-feira (22/7) Apresentação de estudo sobre comportamento leitor do brasileiro Tema: Retratos da Leitura no Brasil 17º COLE (Congresso de Leitura do Brasil)(http://www.alb.com.br/portal/17cole/programa.html) – Associação de Leitura do Brasil (ALB) Local: Unicamp – Campinas (SP) Horário: 10h30
Deu no The New York Times: em tempos de crise, as bibliotecas americanas estão se tornando o lugar tranquilo que todo mundo procura, cada vez mais, para buscar consolo da perda de emprego ou enfrentar o estresse causado pelas dificuldades do momento. Em algumas delas, a demanda está tão acima do esperado que os funcionários já reclamam de falta de preparo para as novas exigências. Desde a elaboração de um simples currículo até fazer um desabafo pessoal ou mesmo tirar um cochilo numa das cabines de leitura, o certo é que as bibliotecas americanas estão cada vez mais se fazendo presentes na vida das pessoas. Vale a pena dar uma espiada na reportagem publicada pelo jornal americano.
Causou certa agitação no mercado editorial a informação de que a nova lei de incentivo à cultura, em fase de consulta pública, deve mexer forte na questão dos direitos autorais. O Ministério da Cultura quer que, um ano e meio após a realização do projeto financiado com recursos públicos, o governo possa fazer uso da obra, para fins educacionais, sem ter que pagar direitos autorais. Isso vale também para livros editados com benefício fiscal? Leia (no clipping da Brasil Que Lê - Agência de Notícias) o que diz a respeito o secretário-executivo do MinC, Alfredo Manevy, em entrevista à Folha.
Alguns temas postados no blog ou que circularam na última edição da newsletter do blog repercutiram, nos últimos dias, nas principais publicações do mundo do livro. Notas sobre a polêmica do preço fixo para livros e sobre a possibilidade de livrarias nas calçadas, no Paraná, ganharam destaque. Uma nota sobre mais livros e leitura nas cidades, neste primeiro trimestre, também foi notícia.
Na enquete promovida pelo blog assim que a questão da lei do preço veio à baila, ficou em zero a taxa de indiferentes diante do tema. Dos leitores que participaram da votação, 41% se pronunciaram a favor, enquanto 29% disseram ser contrários. Mas ainda era impressionante o índice dos que diziam faltar informações para tomar alguma decisão sobre o assunto: 30%. Vale a pena saber a quantas anda, hoje, o humor do mundo do livro e da leitura sobre a questão.
O profissional de biblioteca será uma das personagens que fazem parte da vida da cidade no vídeo sobre a candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A campanha institucional vai mostrar esportistas, atendentes de lojas, estudantes, artistas e uma série de personagens da paisagem carioca. A coordenadora de Acervo Geral da Fundação Biblioteca Nacional, Anna Naldi, foi a escolhida pelo Comitê Olímpico Brasileiro para representar os bibliotecários da capital do Rio de Janeiro. O vídeo será apresentado em Genebra.
Os holofotes do mercado do livro estão todos voltados para a audiência pública que acontece nesta quinta (2/4), na Câmara dos Deputados, em Brasília, para debater a proposta de adoção no Brasil de uma legislação que inclua a fixação de preços no caso de lançamentos de livros. Os que são a favor (especialmente os livreiros independentes, com o apoio de médias e pequenas editoras) e os que são contrários (especialmente as grandes editoras) preparam seus argumentos para levar ao Congresso, onde tramita um projeto de lei nesse sentido. Com isso, a Frente Parlamentar de Leitura passa a prestar um papel que deveria ser desempenhado pela Câmara Setorial do Livro e Leitura, que praticamente deixou de existir desde meados de 2008.
Duas dezenas de editoras que se concentram principalmente no eixo Rio-São Paulo promoveram um novo reajuste no preço dos livros entre março e abril. O percentual gira entre 5 e 10%. Algo nesse sentido havia ocorrido no último trimestre de 2008.
Vale a pena acompanhar a campanha movida pela blogueira Denise Bottmann contra o plágio de livros no País. Numa heróica cruzada diária contra o uso indevido do trabalho de tradutores (que acaba sendo reutilizado sem nenhum crédito ou remuneração), ela se dedica a descobrir casos que acontecem no mercado editorial e aponta, sem papas na língua, no seu blog (Não Gosto de Plágios). Tem conseguido boas inimizades, mas também importantes vitórias. http://naogostodeplagio.blogspot.com
Sobre detalhes e livros Extra Online - Retratos da Vida Set de gravação - Caminho das Índias
Assim como antigamente, quando livros eram proibidos do grande público, por suscitar conhecimento e uma possível alteração no status quo, ainda hoje temos obras impedidas de chegar ao leitor por motivos diversos, como no caso da biografia Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo Cesar Araújo, lançada em 2006 e proibida pelo cantor em 2007. Dos exemplares que chegaram a ser vendidos, um foi parar nas mãos do ator José Abreu que, durante intervalo de gravação da novela Caminho das Índias (como mostra foto da coluna Retratos da Vida), deleitava-se com a obra, tão concentrado na leitura como um indiano em suas orações. Como se vê, os livros literalmente permeiam as tramas da vida.
Está surgindo em Guaxupé, no interior de Minas, uma organização que, se conseguir fazer um pouquinho do que o seu patrono fazia, ainda vai dar muito o que falar. É o Instituto Elias José, que acaba de ser criado em homenagem ao escritor mineiro que morreu em 2008 e deixou um belo legado para a literatura infanto-juvenil nacional. O instituto é presidido pela Silvia, mulher do Elias José, e conta com a ajuda dos amigos e conterrâneos. Vale a pena dar uma boa espiada no blog da instituição. (www.iceliasjose.blogspot.com)