Foi o secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), José Castilho, quem deu a boa notícia: o orçamento do Ministério da Cultura para financiar políticas públicas do livro e leitura subiu de irrisórios R$ 6 milhões em 2003 para algo em torno de R$ 160 milhões em 2009. O reconhecimento do papel de uma política pública se faz com gestos. Ter orçamentos minimamente razoáveis é, seguramente, um deles. Mas vale a pena conhecer exatamente no que e como está sendo feito este belo investimento.
A experiência brasileira de construção do Plano Nacional do Livro e Leitura está sendo destaque no encontro de dirigentes das políticas públicas do livro e leitura que acontece esta semana em Santiago, no Chile. O secretário-executivo do PNLL brasileiro, José Castilho, que participou de boa parte desse processo por aqui, entre 2004 e 2006, está lá para contar.
Acaba de ser publicada a nomeação do diretor nacional do Livro e Leitura. O novo diretor é Fabiano dos Santos, que já vinha atuando na Secretaria de Articulação com projetos na área do livro e leitura e foi, até 2006, responsável pelas políticas públicas na região do Ceará. Espera-se, agora, que o ministério coloque em prática a promessa várias vezes repetida pelo ministro Juca Ferreira de criar o Instituto Nacional do Livro e Leitura (a Secretaria Nacional que existia foi equivocadamente extinta pelo ministério em 2003).
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, tem dito que gostaria de criar, até 2010, nada menos do que quatro novos institutos para marcar sua passagem pela pasta. Além do prometido Instituto Nacional do Livro e da Leitura (INLL), Juca tem mencionado em reuniões internas que também gostaria de abrir um organismo para cuidar da questão dos direitos autorais.
O Instituto Pró-Livro acaba de lançar seu informativo, que será distribuído por e-mail e por via impressa para os interessados. Uma das notas dá conta de que o IPL passa a apoiar com recursos, em 2009, a gestão do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).
O Ministério da Cultura planeja realizar em agosto um grande fórum de cidades dispostas a criar em suas localidades um Plano Municipal do Livro e Leitura (PMLL). A idéia estava prevista justamente para 2009 nas articulações iniciais que levaram à criação do Plano Nacional do Livro e Leitura. Também estava prevista a criação, em 2008, de planos estaduais do livro e leitura, o que ainda não aconteceu. A boa iniciativa de criar os PMLLs será apoiada pelo Instituto Pró-Livro.
O que se vê por estes dias nas principais praças de Ribeirão Preto (SP) é uma verdadeira celebração ao livro e à leitura. Pelo andar da carruagem, perto de 500 mil pessoas terão passado, até domingo, pelos salões, cafés, corredores e estandes da 9ª edição da Feira Nacional do Livro. Já é a segunda maior feira do livro a céu aberto do País, ficando atrás só de Porto Alegre. Os grandes nomes da literatura estão por aqui. Tem sido uma bela festa (tive a honra de ser convidado, este ano, para ser o patrono da Feira).
Já imaginou uma cidade inteira que lê um mesmo livro e, em seguida, é convidada a escrever um final para a história. Mais: onde cada morador que quiser é provocado a escrever o último capítulo e que isso vai ser publicado, com nome e tudo mais dos autores na obra?! Pois isto tudo é fato. Esta é a idéia do Projeto Você é o Escritor, da Fundação Palavra Mágica, que resolveu distribuir 150.000 cópias do livro O Menino Que Sonhava de Olhos Abertos (de minha autoria) em toda a Ribeirão Preto. Quem ler a história (que também está disponível na internet) pode mandar o seu final. E ter o livro publicado em meio digital ou impresso.
O presidente da Frente Parlamentar da Leitura, deputado federal Marcelo Almeida (PMDB-PR), fez um veemente apelo, da tribuna da Câmara, esta semana, em Brasília, para pedir apoio dos colegas para aprovação do Fundo Pró-Leitura. O projeto, elaborado pelo Ministério da Cultura, ainda não chegou à Casa. Mas ele quis já tomar a dianteira. - O cidadão não será onerado – explicou.
O Programa Arca das Letras, uma das mais bem sucedidas iniciativas do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), está ampliando sua presença no estado de São Paulo, onde se encontra em mais de 200 municípios. O Ministério do Desenvolvimento Agrário entregou, nesta quinta (25/6), mais 25 bibliotecas rurais para assentamentos da reforma agrária no interior paulista. A entrega foi em Ribeirão Preto, no meio da praça, em plena Feira Nacional do Livro.
Sudeste: Só São Paulo e Minas têm déficit de biblioteca
De acordo com a relação do Ministério da Cultura, os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo não têm nenhuma cidade sem biblioteca. Já em São Paulo, são 15 municípios sem esse importante equipamento. Em Minas Gerais, mais 5 cidades não possuem biblioteca. De qualquer modo, o Sudeste é a região com menor déficit na área.
Pelo menos quatro pessoas, entre cada dez leitores do blog, leem em outro idioma. A maioria (21%), além do português, lê em inglês. Outros 16% dominam a lingua espanhola, na hora da leitura, conforme o resultado da enquete realizada pelo blog, na última quinzena. Uma parcela menor (9%) afirmou que lê em francês.
Alguns temas postados no blog ou que circularam na última edição da newsletter do blog repercutiram, nos últimos dias, nas principais publicações do mundo do livro. Notas sobre o Fundo Pró-Leitura na pauta do dia, sobre a divisão das entidades do livro em torno desse assunto, e sobre livros guardados em casa, que ainda não foram lidos, ganharam destaque. Uma nota sobre a falta de biblioteca pública em 47 municípios da região Centro-Oeste também foi notícia.
Os três leitores Foto: Elaine Cristina Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto
Letícia tem 10 anos. Gabriel, irmão dela, 7 anos. E Luiz Eduardo, primo, vive a plenitude dos seus 8 anos. O que os três têm em comum? O gosto pela leitura. Ao ganharem mais um livro, pararam no primeiro banco à frente, na Feira Nacional do Livro de Ribeirão, que acontece até domingo, 28/6. Letícia e Gabriel leem desde os primeiros meses de vida. Como dizem os pais, ler não é necessariamente interpretar palavras, mas sentir a história. São filhos de um jornalista e de uma professora. Já Luiz Eduardo conta que o incentivo para a leitura veio do avô. Pela foto, dá pra ver que o passeio na feira foi interrompido deliciosamente pela leitura. Mas continou depois, em meio a milhares de histórias e ao doce perfume dos livros.
Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, tornou-se, nesta terça (23/6) a primeira cidade brasileira a ter uma pesquisa de comportamento leitor da população nos moldes da Retratos da Leitura no Brasil. O estudo – coordenado pelo Observatório do Livro e da Leitura e executado pelo Instituto de Desenvolvimento de Estudos Avançados do Livro e Leitura (Ideall) usou a mesma metodologia da nacional, desenvolvida pelo Cerlalc/Unesco.