Entidades do livro e governo negociam exaustivamente para tentar chegar a um acordo que viabilize a criação do Fundo Pró-Leitura. As associações, com a Câmara Brasileira do Livro à frente, preparam uma contraproposta para melhorar o que propôs o governo. Querem livrar os pequenos editores, livreiros e distribuidores da contribuição compulsória e escalonar recolhimentos menores em 2010 e 2011. E ter poder para ajudar a decidir como aplicar os recursos. Nesta sexta, em São Paulo, tem nova reunião.
Coube ao professor Fábio Sá Earp, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a incumbência de preparar um relatório sobre possíveis impactos do 1% sobre a receita do mercado do livro para o Fundo Pró-Leitura. O estudo fica pronto em meados de agosto e é aguardado com ansiedade pelas partes. De um lado, o Sindicato Nacional de Editores de Livros espera provar que será negativo para as empresas. Como o próprio pesquisador estimou que seria algo como R$ 80 milhões anuais, o governo, do outro lado do ringue, espera outra coisa. Quer saber o quanto esses recursos poderão impactar a formação de novos leitores e o incremento do consumo de livros no País.
Foi anotado pelo Livrômetro, o relógio da leitura no Brasil, criado aqui pelo blog: os brasileiros já leram, este ano, 500 milhões de livros. O número foi atingido semana passada e é calculado, segundo a segundo, com base no índice médio de livros lidos no País (4,7 por habitante/ano).
As entidades do livro já estudam uma maneira para que os 14 milhões de trabalhadores que devem ser beneficiados com o vale-cultura usem essa ajuda de R$ 50,00 para, principalmente, comprar livros. Há quem defenda uma campanha do Instituto Pró-Livro para apregoar que “vale-cultura também vale livros”... O governo gosta da ideia. Acha uma boa se cada setor resolver se apropriar da iniciativa para estimular seu público a consumir os bens culturais que produz. O Ministério da Cultura admite fazer um upgrade, aumentando o valor para R$ 100,00.
Alguns temas postados no blog ou que circularam na última edição da newsletter do blog repercutiram, nos últimos dias, nas principais publicações do mundo do livro. Notas sobre os debates do governo com as entidades do livro para a criação do Fundo Pró-Leitura, sobre a posição do Snel, contrária ao Fundo, e sobre a presença cada vez maior do Brasil nas feiras internacionais ganharam destaque. Uma nota sobre os seis anos de morte da Secretaria do Livro e Leitura também foi notícia.
Enquanto milhares de pessoas se debruçam sobre códigos e fórmulas para vencer a corrida e oferecer o livro eletrônico mais prático e barato, os artistas tratam o assunto com bom humor. Foi o que fez Grizelda, com seu cartoon Page Not Found, numa boa sacada sobre a polêmica disputa entre livros virtuais e de papel. O tema continua dando o que falar. E, de tudo o que se vê, fica o desejo de que, em tempo algum, essa história acabe com "uma página vazia". Fiquemos, assim, com Castro Alves: Oh! Bendito o que semeia / Livros ... livros à mão cheia ... / E manda o povo pensar! / O livro caindo n'alma / É germe – que faz a palma / É chuva – que faz o mar.
Com rigor de pesquisador e a autoridade de quem foi testemunha ocular e, por vezes, protagonista dessa história, o jornalista e antropólogo Felipe Lindoso publica um bom artigo para quem quiser entender como começou toda essa conversa de Fundo Pró-Leitura. Sem perder o tom crítico e, às vezes, ácido, ajuda a jogar um pouco de luz sobre este momento crucial da questão do livro e da leitura no Brasil. Vale a pena ler (em Leitura Crítica).
Acabo de receber o livro Abismo, de Whisner Fraga, editado pela Ficções. O autor já venceu prêmios regionais importantes e foi finalista do Prêmio Sesc. A obra teve o apoio do Proac, do governo paulista.
As entidades da cadeia produtiva do livro estão preocupadas com a onda de acusações contra o consumo de papel como sinônimo de destruição de florestas. Os livros, assim como os jornais, revistas e cadernos, estão cada vez mais indevidamente associados, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Gráficas, à redução das florestas, já que o papel é produzido a partir da madeira. A Abigraf teme que se nada for feito em pouco tempo essa cadeia pode passar da condição de heróis da difusão cultural e da informação a vilões da sustentabilidade. A segunda reunião das entidades está marcada para o dia 3/8, em São Paulo.
As entidades da cadeia produtiva do livro devem fazer uma campanha em favor da valorização do papel e da comunicação impressa. A ideia é criar uma marca que agregue os pontos de vista dos vários elos dessa cadeia. Estão convencidos de que a valorização do papel é de suma importância no momento em que se discute o uso do papel e o aprimoramento contínuo das tecnologias digitais. Já foi criado até um comitê executivo com essa finalidade.
Depois de incluir jovens do Ensino Médio, a Educação de Jovens e Adultos, as crianças da Educação Infantil e os deficientes visuais e auditivos nos programas sociais do livro gratuito, o MEC acaba de publicar outra novidade. É o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) do Professor 2010, que saiu no Diário Oficial da União desta segunda (27/7). Quem quiser participar tem que correr: entre cadastro das editoras e inscrição das obras, o prazo é curto: vai de agosto a início de novembro. A iniciativa é muito boa!
O multiartista e ativista cultural Ray Lima continua sua andança em prol da arte e da educação, unidas pela cenopoesia. Agora é a vez do livro Lâminas, seu novo projeto, que busca reflitir sobre a condição do ser e das relações humanas contemporâneas. Para saber mais sobre a obra literária, e sobre o espetáculo que a acompanha, fale com o Ray (85-3341-0465 - limafeliz@gmail.com).