Com o charme de sempre e uma programação cultural que prima, invariavelmente, pelo bom gosto e a sofisticação, o Rio assume a condição, na próxima semana, de capital do livro do Brasil. A grande vedete é, sem dúvida, a Bienal Internacional do Livro, que começa na próxima quinta (10/9), sempre com elegância e um cardápio literário de primeira. Na mesma semana, pertinho do Riocentro, acontecem também as convenções nacionais dos livreiros e dos difusores do livro. Na mesma quinta (10/9), outra festa terá início em São Paulo. É a sempre simpática Primavera dos Livros, organizada pela Libre, a Liga Brasileira de Editores.
O governo fará chegar, nesta sexta (4/9), aos dirigentes das entidades do livro no Brasil, sua resposta para a contraproposta feita pelo mercado para a criação do Fundo Pró-Leitura. Numa semana marcada pela retomada do debate e dos recados entre as partes via jornais, os editores e livreiros devem ser surpreendidos com a posição a ser transmitida pelo Ministério da Cultura. Para isso, foi escalado o secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), José Castilho, para apresentar o formato que o governo espera ver aprovado para o fundo. Pelo sim, pelo não, alguns editores já estão fazendo lobby no Congresso para tentar derrubar lá, caso a proposta do governo não seja do agrado.
Às vésperas do entendimento esperado, para os próximos dias, entre mercado editorial e governo em torno da criação do Fundo Pró-Leitura, o Senado manda uma notícia: agora também fará andar o projeto de lei de autoria do senador José Sarney que institui o Fundo Nacional de Leitura - este só com recursos do governo. Há anos engavetada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Casa, a proposta acaba de receber o parecer favorável do relator Augusto Botelho e está pronta para entrar na pauta. Antes, já passou, com um belo parecer do relator Marco Maciel, pela Comissão de Educação e Cultura.
A fim de enfrentar a tradicional inadimplência na venda de livros no modelo porta a porta, a Associação Brasileira de Difusão do Livro vai apresentar, em sua convenção anual (quarta, 9/9), no Rio, um mecanismo que permitirá utilizar o celular para, finalmente, substituir o cheque pré-datado (que é uma espécie de instituição no segmento) pelo cartão de crédito. Aproveitará também para divulgar uma nova e inédita pesquisa sobre o ramo que mais cresce no negócio do livro: o seu. E, ufa, mostrará a campanha publicitária que está pensando em fazer para animar as pessoas a abrir suas casas para os vendedores de livros. Sem medo de ser assaltados. A campanha leva a assinatura da agência paulista WGA.
A Associação Brasileira de Difusão do Livro, que reúne as editoras e distribuidoras de livros vendidos de casa em casa, avisa que apoia integralmente a ideia de se criar um Fundo Pró-Leitura no País, como agora quer o governo. Em entrevista publicada aqui (leia a íntegra), o presidente da ABDL, Luis Antônio Torelli, defende a medida. E diz que isso será bom pra todo mundo. Começando pelo próprio mercado.
É aguardado, com certa ansiedade, o edital inédito que o Ministério da Educação publica, nesta sexta (4/9), com os critérios para compra de livros do seu novo programa nacional do livro didático para a Educação de Jovens e Adultos. Na linha de outros programas governamentais geridos pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, o FNDE, este já tem até nome de batismo: será o PNLDEJA. Agora, o governo vai comprar livros para os alunos do campo e da educação indígena, quilombola e em presídios. Os programas sociais do livro ajudam a consolidar, mais e mais, uma política de estado exemplar. No Brasil e já referencial mundial.
A Abrelivros tem procurado aproveitar a grande vitrine que são as bienais do livro para desenvolver uma programação toda voltada para difundir e defender, entre frequentadores e formadores de opinião, os programas sociais na área e o papel dos livros na educação. Na Bienal do Rio, por exemplo, a instituição, que tem como associadas as grandes editoras de livros didáticos, criou uma programação própria bastante interessante em seu estande. Vale a pena conferir.
A Biblioteca Comunitária Tobias Barreto – cantada em prosa e verso graças às façanhas literárias do seu criador, o pedreiro Evando dos Santos – pede socorro. Uma ajuda, na verdade, para pagar as despesas R$ 250,00 mensais com água, luz e telefone. É que era a mãe de Evando, que morreu no mês passado, quem pagava as contas. Com isso, a biblioteca – instalada na Vila da Penha, no Rio, e ganhadora de vários prêmios e de um belo projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer – não vai bem de saúde financeira. O pedreiro Evando, ex-analfabeto, se notabilizou distribuindo livros nos pontos de ônibus e abriu o espaço de leitura, inicialmente, no próprio quintal de casa, onde passou a atender dia e noite. Ganhou dinheiro do BNDES para construir o prédio novo e é, verdadeiramente, um missionário da leitura. Quem quiser ajudar pode doar diretamente na agência 0782 do Itaú, conta 78.892-1. Para mais informações, basta telefonar (21-2481-5336) ou escrever (bibliotecatobiasbarreto@gmail.com).
Quatro entre cada dez leitores costumam dar uma cochilada com os livros nas mãos quando estão cansados. E outros dois confessam fazer isso de vez em quando, enquanto 13% preferem simplesmente não ler nessas horas. Já 28% garantem que são duros na queda: não dão aquela famosa pescada de jeito algum. Esse é o resultado da enquete da quinzena, proposta pelos leitores do blog depois que um jornal passou a criticar o presidente Lula por ter confessado, numa entrevista, que quando está muito cansado costuma cair de sono sobre os livros.
Alguns temas postados no blog ou que circularam na última edição da newsletter do blog repercutiram, nos últimos dias, nas principais publicações do mundo do livro. Notas sobre a resposta do MinC em relação à contraproposta apresentada pelas entidades do livro para criação do Fundo Pró-Leitura, sobre a pesquisa encomendada pela ANL referente à participação do livro no consumo das famílias brasileiras e sobre a volta do debate em torno do preço do livro ganharam destaque. Uma nota sobre o pedido de doação de livros para o Instituto Dona Diva, que atende crianças carentes em Brasília, também foi notícia.
O editor Luiz Fernando Emediato, da Geração, faz um comentário duro sobre a posição do mercado editorial diante da criação do Fundo Pró-Leitura pelo governo. - Cada vez que vejo notícias relacionadas a esse tema - escreve ele - sinto vergonha do que nós, editores e livreiros, fizemos. Nós demos um calote no governo! Leia a íntegra do post.
Quem disse que as histórias não saem realmente dos livros? Para provar que isso é verdade, ou pelo menos em parte, o músico e educador Carlos Luiz faz suas andanças levando por aí um livro gigante, do qual, literalmente, saem os personagens que encantam crianças e adultos por todo o Brasil. E são esses leitores-espectadores que ajudam a contar todas as aventuras. A cada página, uma nova surpresa, um mistério a ser desvendado ou um vilão terrivelmente mau. E se você quer saber o capítulo seguinte dessa história, visite www.livrovivo.net e veja o que vem por aí.
Ex-prefeito do Rio de Janeiro, deputado federal e senador, Roberto Saturnino Braga está de novo na cena. Mas desta vez na seara literária. Sua mais recente produção é o livro O Curso das Ideias - A história do Pensamento Político no Brasil e no Mundo (Editora Fundação Perseu Abramo em coedição com a Publisher Brasil Editora). - Esta obra não tem pretensões acadêmicas e é voltada a quem gosta de filosofia política ou é um militante partidário -, faz questão de destacar.
A obra custou ao escritor português Miguel Sousa Tavares dois anos e meio de pesquisa e mais um ano e meio de redação. Rio das Flores teve, só no Brasil, cem mil exemplares vendidos. Guerras, ditaduras e a interminável aventura humana. Vale a pena dar uma espiadela num papo interessante com esse importante autor da atualidade.
Uma escritora que continua a assombrar leitores e críticos com seu talento e seu comentado mistério. Clarice Lispector nasceu enquanto seus pais fugiam da perseguição aos judeus. Veio para o Brasil com um ano, dizem alguns historiadores. Teve suas primeiras obras rejeitadas pelas editoras. E hoje é quase unanimidade no Brasil e uma referência do País no exterior. Veja uma bela entrevista, no programa Espaço Aberto, com a biógrafa Teresa Montero e a cineasta Susana Amaral, sobre essa fascinante autora.