Governo e mercado acabam de fechar o acordo para a criação do Fundo Pró-Leitura. A alíquota será de 0,33% da receita. O comitê que decidirá onde aplicar os recursos terá 16 membros: seis do governo, seis do mercado, dois mediadores de leitura e dois da área criativa.
Com a graça e a pompa de sempre, teve início nesta quinta (10/9) a Bienal Internacional do Livro do Rio. Autoridades, convidados, autores nacionais e estrangeiros e o povo do livro, vindo de várias partes do País, estavam lá. Por 11 dias, uma vasta e convidativa programação reunirá autores nacionais e estrangeiros na grande celebração do ano para o livro. Charme e paixão à parte, bienais e feiras de livros têm muitas serventias. A primeira delas é que durante seu período de funcionamento a mídia e os formadores de opinião chamam a atenção da Nação para a importância do livro e da leitura na vida das pessoas e da sociedade. Mas esses eventos também dão, de certa forma, acesso aos livros a uma fatia da população. E também funcionam como gigantescas livrarias, onde os compradores em potencial encontram aquilo que, no dia a dia, não conseguem achar nem nas maiores e melhores casas do ramo. Por essas e tantas outras razões, elas valem muito a pena.
Um dos espaços mais interessantes da Bienal do Rio é a Floresta dos Livros, uma invenção do Instituto Pró-Livro para chamar a atenção dos visitantes para a leitura. Numa sala secreta, estão espalhados livros em braile para os leitores com deficiência visual, resultado de uma parceria com a Fundação Dorina Nowill. Vale a pena passar por lá.
A Câmara Brasileira do Livro aproveitou o primeiro dia da Bienal do Livro do Rio, organizada pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros, para dar a boa nova: a Bienal de São Paulo, marcada para agosto do próximo ano, estará de cara nova. Além da volta dos dias específicos só para profissionais do livro, a organização mudou. Sai a Francal e entra no lugar a Reed Exhibitions Alcantara Machado, o maior grupo organizador de feiras do mundo (na área do livro, tem em seu portfólio as de Londres e Nova York). Para os expositores, a boa notícia é que os estandes serão mais baratos do que os cobrados ano passado em São Paulo e agora no Rio.
Este é o mote da campanha criada pela agência paulista WGA para a Associação Brasileira de Difusão do Livro. As artes das peças para anúncios em revistas e jornais estão prontas e poderão ser baixadas, nos próximos dias, do site da ABDL (www.abdl.com.br ). A ideia é criar um ambiente propício para que mais consumidores abram as portas de suas casas para os vendedores de livros. A entidade, agora, está atrás de parceiros dispostos a bancar a campanha na televisão ou nos grandes jornais e revistas do País.
Representantes das principais entidades do livro deram nesta quinta-feira (10/9) os últimos retoques na nova proposta que pretendem apresentar nesta sexta (11/9) na nova rodada de negociações com o governo sobre a criação do Fundo Pró-Leitura – aquele oferecido, em 2004, pelos editores, em troca da desoneração fiscal. Uma eficiente campanha nos bastidores da imprensa está quase conseguindo convencer a opinião pública de que é o governo quem está querendo criar um imposto novo – e não que foram os editores e livreiros que fizeram espontaneamente essa oferta, cinco anos atrás, quando propuseram passar a recolher 1% da sua receita para um fundo público para fomentar a leitura e novos mercados em troca do fim dos tributos.
Na pressa de bater no governo e inviabilizar o Fundo Pró-Leitura, articulistas e editorialistas dos grandes jornais brasileiros passaram a criticar duramente o uso de recursos públicos para se investir na formação de professores, bibliotecários e outros mediadores de leitura que gostem de ler e ajudem a formar novos leitores. De um lado, coleguinhas jornalistas que não compreendem direito sobre o que estão comentando e pouco importa procurar saber mais. De outro, o governo, que começa a perder feio a guerra da comunicação.
Alguns temas postados no blog ou que circularam na última edição da newsletter do blog repercutiram, nos últimos dias, nas principais publicações do mundo do livro. Notas sobre convenções, feiras e bienais, em uma semana consagrada aos livros, sobre a retomada do Senado ao projeto de lei que cria o Fundo Nacional de Leitura, e sobre o apoio integral da ABDL à criação do Fundo Pró-Leitura ganharam destaque. Uma nota sobre o Brasil como exemplo em programas sociais do livro também foi notícia.
Dois chats programados para o final de semana vão debater a questão da leitura. No sábado, Emanuelle Santos e Lucas Guedes discutem temas relacionados com a literatura e a educação e sobre as novas formas de ler, escrever e interagir. Já no domingo, participo ao lado de Márcio-André (A didática pelos Quanta) e Rodrigo Petronio (A formação e deformação de um leitor), na segunda rodada. Os textos deles podem ser lidos com antecedência no site. Nos dois dias, os horários são os mesmos: das 18 às 20 horas, no http://dinosanfibios.ning.com.
A gente não quer só comida Portal Thomerama Foto de André Kertész
Enquanto come um doce, ou toma um sorvete - não se verifica ao certo pela imagem - o menino se alimenta das histórias em quadrinhos nos jornais espalhados pela calçada. Sua atenção está muito mais entregue à leitura do que ao alimento. Parece preferir a aventura da história, que preenche a alma, ao doce, que pode ser conseguido em alguma esquina. O que talvez não lhe aconteça com a leitura. Ainda, não é possível atestar que ele esteja, de fato, lendo. E se não o estiver, sua imaginação dá conta do recado, com os desenhos que dão cor à aventura. Se uma imagem vale mais do que mil palavras, o fotógrafo húngaro André Kertész (1894-1985), por esse registro de 1944, disse todas elas com esse inquietante retrato da sociedade.
Este é o título do livro do médico Edinir Sápia, que será lançado neste sábado, dia 12/9, às 20h, na Câmara Municipal de Descalvado-SP, pela editora Conecta Brasil. "São símbolos da minha vida", afirma o autor, que descreve em suas memórias as mudanças sociais, culturais, políticas e econômicas do Brasil ao longo do século XX. A obra é fruto de projeto realizado com o apoio do Governo do estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e Proac. Para saber mais, doutor Edinir deixa o telefone (11) 2478-0782 e o e-mail: livrolancamento@uol.com.br.
Galeno, companheiro de luz, é só para te dizer que sigas sem desanimar no dificil e cada dia mais necessário trabalho de plantar o gosto (a precisão) da leitura no brasileiro de qualquer idade, com empenho especial na criança e no adolescente. Nada mais preciso para a formação de uma pessoa que chega ao mundo com a missão de ajudar a vida a ser melhor. Quem lê não apenas sabe mais: vale mais como pessoa humana. Guarda o meu abraço solidário.
Livreiros, editores, autores e outros integrantes da cadeia do livro no Ceará podem, juntos, dar novos rumos às políticas públicas do setor. E o FLEC – Fórum de Literatura do Estado do Ceará - é o caminho para isso. As reuniões com representantes da área são mensais, abertas ao público e têm como princípio o apartidarismo, a democracia e o acesso à leitura e ao saber como direito de todos. Vale a pena dar uma conferida no portal. http://forumdeliteraturace.wordpress.com/
Nesta quinta-feira, dia 10, tem lançamento duplo em São Paulo. Venho de um País Selvagem (Topbooks), de Rodrigo Petronio, e Pleno Deserto (Edições Rumi), de Maiara Gouveia, serão as estrelas da noite no restaurante Wakai, a partir das 19h, na rua Fernando Albuquerque, 166, Consolação. O livro de poemas de Maiara será distribuído gratuitamente. maiaragouveia.blogspot.com/ rodrigopetronio.blogspot.com/
O projeto Leitura para Todos, iniciado em 2003 pelo Instituto Oldemburg de Desenvolvimento, atinge, este ano, a marca de 673 salas de leitura implantadas de norte a sul do Brasil. Criado com o propósito de ampliar o acesso da população aos livros e contribuir para a democratização do conhecimento por meio da leitura, o projeto implantará nos meses de setembro e outubro mais 121 salas em sete estados do País. www.saladeleitura.org.br
Tendo à frente o escritor Daniel Munduruku, autores e intelectuais de diversas tribos brasileiras vão aproveitar a abertura da Feira do Livro Indígena, mês que vem no Mato Grosso, para anunciar a criação da Academia dos Saberes Indígenas. Vai ser uma espécie de Academia Brasileira de Letras dos índios, com ênfase, naturalmente, à sabedoria ancestral desses povos. Será também uma forma de homenagear os velhos contadores de histórias, que são os pajés tradicionais. E, de quebra, mostrar que a literatura indígena vai além do conceito ocidental de escrita para pôr um fim à ideia de que só há um tipo de literatura (a escrita). O patrono da turma será o ex-deputado Mário Juruna.
Agora é o Mato Grosso que discute a criação de uma Política Estadual do Livro. A proposta, apresentada pelo deputado José Riva (PP), que preside a Casa, quer garantir o direito de acesso e de uso do livro. E, de quebra, fomentar a produção literária, a edição, difusão, distribuição e comercialização dos livros no Estado. Entre outras medidas, estão previstas ações para turbinar as bibliotecas. Busca-se também incentivar mais os autores locais, inclusive tornando obrigatória a leitura de suas obras nas escolas.
A professora aposentada Carolina Machado da Costa atua como voluntária em um projeto de inclusão em São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo. O trabalho é feito junto com o atleta olímpico Branco Zanol e é lá que crianças e jovens de seis a 18 anos estão trocando as ruas pelas aulas e medalhas de judô. E por livros, quase todos eles doados pela própria Carolina, que não perde tempo e aproveita esses momentos para estimular que a meninada também leia poemas e escreva seus próprios textos. Como o projeto acaba de ganhar um prédio novinho, oferecido pela prefeitura, a professora tratou logo de arrumar um espaço para instalar uma biblioteca comunitária. Até uma profissional da área ela já conseguiu. Agora, só faltam os livros. Quem quiser doar pode mandar um e-mail para carolinarmcosta@hotmail.com.
Estreou no final de semana, na TV Record, o programete Você é o Escritor!, que passo a apresentar, nas manhãs de sábado, com transmissão para 112 cidades do Estado de São Paulo, que abrangem uma população de 4 milhões de habitantes. O foco é o mesmo no qual tenho militado nas últimas décadas e que, felizmente, mais e mais começam a fazer parte da agenda nacional: as políticas públicas do livro e leitura. O objetivo maior é estimular as pessoas a ler e a escrever mais. E a assumir o protagonismo social e político em suas comunidades. O ponto de partida é um livro de minha autoria (O Menino Que Sonhava de Olhos Abertos, cuja tiragem total já beira 200 mil exemplares, boa parte distribuída gratuitamente), que trata de temas como participação popular, planejamento urbano e como deve ser, no futuro, a cidade onde a gente vive. Deixo as últimas páginas para que cada leitor escreva o final que desejar, tornando-se, assim, coautor do livro (que pode ser visto no site www.voceeoescritor.org.br ou impresso de graça, com o nome do leitor-autor na capa e no miolo do livro). O programa vai ao ar todos os sábados, às 10h, e estará também no YouTube.