Pra não passar em branco: nesta sexta (30/10), a Lei do Livro, proposta pelo senador José Sarney e assinada pelo presidente Lula em 2003, está completando seis anos. Não resolve, é certo, todos os problemas acumulados em 500 anos de inexistência de uma política de Estado nessa área. Mas não há como deixar de reconhecer seu papel extraordinário e mobilizador até como primeiro marco regulatório dessas políticas no Brasil.
Até hoje não se chegou a um texto de consenso para a regulamentação da Lei do Livro, exaustivamente debatida em 2005. Mas foi justamente sua ampla discussão (por 40 mil atores sociais da área) que possibilitou a grande mobilização que resultaria, entre outras coisas, na criação do Plano Nacional do Livro e Leitura, o PNLL. E em tudo que se deu na área desde então: desoneração do livro, Ano Ibero-americano da Leitura (Vivaleitura), Prêmio Vivaleitura, BNDES PróLivro, Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil, entre outros. Ainda há muito o que fazer. Mas, depois dela, nada mais será como antes.
Neste outubro em que nunca se falou tanto no livro digital no Brasil e no mundo, o e-livro ocupou boa parte das discussões, nesta quinta, 29, Dia Nacional do Livro, na série de painéis realizados na Biblioteca Nacional, no Rio. São duas as sensações principais. Primeiro, que ele veio pra ficar e deve ajudar a promover uma nova revolução no acesso à leitura. Segundo, que o bom e velho livro de papel ainda tem vida longa.
Escritores, editores, especialistas e empreendedores em geral foram convidados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Fundação Biblioteca Nacional para analisar a quantas anda a questão do acesso aos livros no Brasil. E como melhorar isso. Esse I Simpósio do Livro da UFRJ, batizado de Livre-se, foi organizado pela Escola de Comunicação justamente para celebrar o Dia do Livro. Fui convidado a apresentar um diagnóstico sobre isso.
Num país onde há anos se repete que as 2.600 livrarias existentes (e concentradas no eixo Rio-São Paulo) são sabidamente insuficientes, uma boa notícia. Já passa de 1.600 o número de sebos, espalhados por mais de 300 cidades, que integram a Estante Virtual, a qual reúne todos eles na internet. Os números dessa genial invenção de André Garcia são impressionantes: 600 mil compradores de livros em 5.423 cidades do País. E 23 milhões de livros a preços mais em conta (boa parte deles a menos de R$ 12,00). Não é pouco. E tudo isso em menos de quatro anos.
Um dos três suportes que mais motivam a leitura de seus aficionados (segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil), o audiolivro vai, aos poucos, ampliando seu espaço no País. Já passa de 1.000 os títulos convertidos para esse suporte no Brasil. É pouco se comparado a países como os EUA, onde de cada 5 títulos 1 sai nesse formato.
Vem aí uma conferência nacional para discutir e avaliar as políticas públicas do livro e leitura. Será uma pré para a Conferência Nacional de Cultura. É fundamental que o povo do livro participe das edições municipais (que já aconteceram) e estaduais, que elegem os delegados para o encontro nacional que ajudará a definir rumos e estratégias de investimentos para a cultura brasileira. Já a pré-conferência de leitura deve ser no primeiro trimestre de 2010.
Pra não deixar em branco o Dia Nacional do Livro, o Conselho Nacional de Política Cultural convocou para esta quinta, 29/10, uma reunião de seu Colegiado Setorial do Livro e Leitura. O grupo, sucedâneo da Câmara Setorial do Livro e Leitura, é composto por 46 titulares e tem a incumbência de propor a formulação de políticas públicas para a área. A conferir.
Ainda não foi. Mas deve seguir, ainda na primeira metade de novembro, a proposta de criação do Fundo Pró-Leitura, a ser instituído com a contribuição de 0,33% da receita das editoras e livrarias (em troca da desoneração do livro). Começa a ficar apertado o prazo para aprovar e criar, ainda este ano, para começar a vigorar em 2010, a nova fonte de financiamento das políticas públicas setoriais. A ideia do Ministério da Cultura é enviar projeto específico, mas junto com a nova lei de incentivo e fomento à Cultura.
Afinal, o que a biblioteca pública tem a ver com a cidadania? Pra discutir isso e outros assuntos relacionados com o direito de acesso aos livros de forma pública e gratuita e democratização da informação, um grupo de bibliotecários paulistas se reunirá nos dias 5 e 6/11 em Osasco, na Grande São Paulo, para refletir sobres esses e outros temas de relevância para as políticas públicas do livro e leitura. Vale a pena conferir a programação.
Vale registrar: a Imprensa Oficial de São Paulo comemorou, esta semana, o lançamento do volume de número 200 da Coleção Aplauso. São pequenas biografias de bolso de astros do cinema que têm tudo para dar uma tremenda mão para ajudar a fomentar a leitura no País.
Oito, entre cada dez leitores, já fizeram isso, principalmente, quando, para eles (32%), o livro é chato. Mas os motivos são muitos. Pela ordem: o livro não era o que o leitor pensava (26%), cansaço ou sono (11%), a leitura é difícil e falta de tempo (10%). Já outros 21% disseram ir sempre até o final do livro. Este é o resultado da enquete quinzenal, realizada entre os leitores do Blog.
Olá, Galeno! Eu fui ao congresso e foi ótimo! Adorei ouvir as apresentações e palestras dos professores, tradutores e escritores presentes. Eu já sou fã da Clarice Lispector (uma das homenageadas), mas com certeza agora vou ler as outras escritoras (Nísia Floresta e Cecília Meirelles), inclusive a Ana Maria Machado, que esteve presente na Brasilian Endowment for the Arts esta semana. Um abraço desde Nova Iorque!
Alguns temas postados no blog ou que circularam na última edição da newsletter do blog repercutiram, nos últimos dias, nas principais publicações do mundo do livro. O artigo intitulado Ainda falta muito, de Galeno Amorim, sobre o desempenho do Brasil nesta década em relação ao livro e à leitura, ganhou destaque. Uma nota sobre a previsão de que 2018 será o início do domínio do digital sobre o papel, no post Deu no Twitter do Blog, também foi notícia.
A Escola de Comunicação da UFRJ, a Faculdade de Comunicação Social da UERJ e a Biblioteca Nacional se uniram para comemorar o Dia Nacional do Livro com a realização do Simpósio Livre-se, reunindo vários especialistas e personagens ilustres da literatura, como João Gilberto Noll e Ferreira Gullar. Eu participarei da palestra O Acesso ao Livro, no dia 29, a partir das 9h, ao lado de André Garcia (Estante Virtual), Eduardo Melo (Editora PLUS), Marco Giroto (AudioLivro editora), com mediação de Paulo Pires (ECO/UFRJ). O evento, que tem início nesta terça, 27, acontece no Auditório Machado de Assis, na Biblioteca Nacional.
Será lançada nesta quarta-feira, dia 28, a Coleção Aplauso (Imprensa Oficial do Estado de SP). O evento acontece a partir das 20h no 4º andar do Shopping Frei Caneca, onde está sendo realizada a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Com as novas biografias, a coleção atinge 200 volumes, entre eles a obra sobre a atriz Débora Duarte. A Coleção Aplauso, voltada para o resgate da cena cultural brasileira, é uma iniciativa de Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial.