Todos pela leitura Foto: Extra Online Rio de Janeiro
Para melhorar o desenvolvimento dos alunos da rede pública, o projeto Escolas do Amanhã, realizado no Rio de Janeiro, tem como ponto de partida a participação direta dos pais na vida escolar dos filhos. Entre vários obstáculos a ser superados, a leitura está entre os principais. Mas, aos poucos, essa história vem mudando. E o exemplo está no Ciep Antonio Candeia Filho, em Acari. Assitir a um vídeo, acompanhar uma aula, almoçar no refeitório, tudo isso passou a ter influência no desempenho das crianças. O resultado pode ser visto na sala de leitura, onde meninos e meninas se divertem com cada novo livro que chega à biblioteca. É a união de todos pela leitura.
Os três leitores Foto: Elaine Cristina Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto
Letícia tem 10 anos. Gabriel, irmão dela, 7 anos. E Luiz Eduardo, primo, vive a plenitude dos seus 8 anos. O que os três têm em comum? O gosto pela leitura. Ao ganharem mais um livro, pararam no primeiro banco à frente, na Feira Nacional do Livro de Ribeirão, que acontece até domingo, 28/6. Letícia e Gabriel leem desde os primeiros meses de vida. Como dizem os pais, ler não é necessariamente interpretar palavras, mas sentir a história. São filhos de um jornalista e de uma professora. Já Luiz Eduardo conta que o incentivo para a leitura veio do avô. Pela foto, dá pra ver que o passeio na feira foi interrompido deliciosamente pela leitura. Mas continou depois, em meio a milhares de histórias e ao doce perfume dos livros.
O livro: de 1910 para 2000 Gravura da Biblioteca Nacional da França
A gravura em destaque está na Biblioteca Nacional da França. São trabalhos feitos no ano de 1910, numa abordagem de como seria a vida no ano 2000. As ideias passam por bombeiros voadores, carros com asas, robôs na construção civil, videoconferências e, curiosamente, há gravuras sobre jornais ouvidos, em vez de lidos, assim como os livros da escola do futuro, imaginada no início do século passado. Na imagem, um dos alunos vai girando uma manivela, enquando o professor coloca na máquina as obras a serem ouvidas. A ver pelos avanços de hoje, em muitos aspectos nossos antepassados não estavam errados.
Contra a violência, os livros Foto de: Danilo Verpa/Folha Imagem Local: São Paulo (SP)
Ontem, o clima pesou no campus Butantã da USP, na zona oeste de São Paulo. Uma manifestação de funcionários e estudantes da universidade, e também da Unesp e Unicamp, acabou em confronto com a Polícia Militar. PMs usaram bombas de efeito moral, balas de borracha e cassetetes. Os alunos, pedras, tijolos e... livros. Na imagem acima, que estampou a capa da Folha de S. Paulo nesta quarta-feira, um estudante em greve se defende da agressão da PM paulista com um livro na mão.
A obra Uma Mulher Lendo, pintura de um dos maiores gênios da arte, o holandês Van Gogh, mostra o que até bem pouco tempo poderia ser uma cena inusitada. Hoje, por aqui, esse é um quadro que ganha cada vez mais cores. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, as mulheres leem mais que os homens e são responsáveis pelos principais índices de aumento de leitores no País. São, assim, geniais mulheres, de cuja inteligência e sensibilidade nascem novos homens e novos mundos, todos os dias. Uma sabedoria que, eterna como as telas do pintor, passa imune ao tempo, num livro que permanece aberto e imprescindível para a vida.
Livros sobre rodas Foto: Pedro Motta Belo Horizonte-MG
Mais uma boa ideia sobre como despertar na criançada o gosto pela leitura. Um carrinho com um montão de livros percorre as salas de aula do Colégio Santo Antônio, em Belo Horizonte. E, quando ele chega, meninos e meninas fazem a festa. O carrinho percorre salas da 1ª à 4ª série, e os alunos podem escolher quantos livros querem levar para casa. Em reportagem de Bia Reis, na Revista Nova Escola, a direção do colégio conta que foi uma solução encontrada para os pequeninos, que ficam em outro prédio, longe da biblioteca. Uma iniciativa que merece aplausos e já rende frutos: de acordo com a coordenadora pedagógica Maria de Lourdes Lopes Cançado, a garotada passou a se interessar mais não só por livros mas também por revistas e jornais.
Pais, filhos e livros Foto de Brígida Rodrigues Maio de 2009
Reportagem da IstoÉ deste mês, sob o título Crianças, as campeãs de leitura, assinada por Rodrigo Cardoso, aborda um dado interessante: segunda a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, dois em cada três leitores se recordam dos pais ou adultos envolvidos com livros em casa. Na mesma proporção, quem não tem esta lembrança da infância, também não desenvolveu o hábito. É a velha história de que o exemplo ainda é mais eficiente do que qualquer outro argumento. Na foto de Brígida Rodrigues, pais, mães e filhos se misturam entre personagens reais e fictícios, ampliando horizontes e criando possibilidades de, não apenas um, mas vários finais felizes. Um desfecho que pede um começo igualmente prazeroso, que poderia ser descrito mais ou menos assim: era uma vez... uma criança, um livro e... Bom, o resto é com vocês, pais e mães, na edificante missão de cultivar o gosto da leitura em suas novas gerações.
Dos livros nascem heróis, vilões, mitos e musas, que marcam nossas vidas eternamente. Dos livros se fazem palcos para platéias particulares e casas de show lotadas por ansiosos espectadores. Há quem carregue um livro como quem leva um remédio na bolsa. Há outros que trocam o sono da noite pesada pela leitura que enleva em um romance. Há ainda aqueles que fazem da imaginação o próprio romance entre si e a bela mocinha que é descrita em perfeição por tantos autores. Tudo guardado em uma caixa de folhas de papel, sem fechaduras, e cujo único segredo é refletir os sonhos de quem já descobriu no livro uma passagem sem volta para a vida.
O menino criado pelo artista Orlando encontra no livro a aventura que seu coração sonhou, os vales encantados, os gigantes terríveis, caminhos cheios de armadilhas e surpresas. Mas é no mesmo livro que ele se encontra, se veste com capa e se transforma em herói, ao derrotar vilões e salvar princesas presas na torre mais alta do castelo. Quem não se viu menino, criança, menina, com suas criações fantásticas e mundos alcançados somente por quem sabe a passagem secreta? Dos livros que nascem os medos, brotam as convicções de que a mais gentil fada madrinha é a leitura, e nosso melhor amigo, que a um tempo nos parece inquirir algo, é o que antes de tudo nos mostra sempre onde está o X que marca o lugar do tesouro. Pois, se olharmos bem, veremos que é ele - o livro - quem nos protege e nos abraça nos momentos mais incríveis de nossa vida.
Uma janela para o futuro Foto de Rogério Albuquerque São Paulo - Abril de 2009
A reportagem de Rodrigo Ratier, publicada na revista Nova Escola, circulou redações e mobilizou pensamentos em torno da matéria apresentada sob o título Vale mais que um trocado. A íntegra da reportagem, que tinha como objetivo ver a aceitação de pedintes a livros, em vez de esmola, pode ser acessada aqui. Tão brilhante quanto o texto e a iniciativa do jornalista, a foto acima, que acompanha a publicação, revela que os sonhos ainda estão no coração de cada criança, em cada esquina do Brasil. E um abraço que parecia improvável, entre menino e livro, torna-se realidade quando se abrem janelas pelas quais podemos oferecer vista e passagem para um futuro melhor, pelo caminho do acolhimento, dos livros e da leitura.
Quando o segundo sol chegar Ilustração de Baptistão O Estado de S. Paulo - 29/3/2009
Ao analisar a produção literária nacional, o colunista Daniel Piza apresentou a ilustração acima no artigo Tropismo Literário. Como ele mesmo cita em seu texto, ao colocar o Brasil por tema dominante na produção local ("uma tendência automática a ir na direção do sol tropical"), a imagem parece apresentar uma obra que busca sua luz particular. Opiniões à parte, a criação em foco merece o aplauso pela linguagem e pela estética, que avançam os limites de tradução e encetam a pluralidade da beleza criativa e, por isso mesmo, não guarda o absoluto, mas a dúvida de que se, ao pé da planta, avistam-se um vaso ou o próprio universo íntimo, que a tantos não é dado ver, como um segundo sol, à espera da nova luz que o ilumine.
E, assim, aos poucos, essas mesmas pessoas vão transformando o mundo, de si próprias e dos livros. Afinal, se autores criam pelo lado de dentro das capas, por que não criar pelo lado de fora delas? Criativos, leitores-artistas transformam e espalham suas imagens de leitura pela internet. Um homem compenetrado, ao pé de seu cachimbo. Uma mulher de olhar oblíquo e dissimulado. Todos estão ali, para os olhos de gente que entende os livros como infinitas e inquestionáveis formas de expressão.
Assim como os livros atravessam os séculos, seus autores também se tornam imortais, pela obra impressa em papel ou pela lembrança de quem ouve a história não pelas mãos de quem a escreveu, mas de quem a transforma e lhe dá vida. Pois um livro fechado, afinal, é um pássaro preso ao chão. E uma história que não é contada não se fantasia de palavras e cores. Mas, do coração de personagens como Balbina Maria de Oliveira, as aves se desprendem e alcançam o céu, como livros sedentos de voar. Vencedora da 9ª edição do concurso Banco Real Talentos da Maturidade, Dona Balbina é ao mesmo tempo ave e livro, que espalham liberdade pelo mundo real da imaginação e da generosidade.
Sobre detalhes e livros Extra Online - Retratos da Vida Set de gravação - Caminho das Índias
Assim como antigamente, quando livros eram proibidos do grande público, por suscitar conhecimento e uma possível alteração no status quo, ainda hoje temos obras impedidas de chegar ao leitor por motivos diversos, como no caso da biografia Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo Cesar Araújo, lançada em 2006 e proibida pelo cantor em 2007. Dos exemplares que chegaram a ser vendidos, um foi parar nas mãos do ator José Abreu que, durante intervalo de gravação da novela Caminho das Índias (como mostra foto da coluna Retratos da Vida), deleitava-se com a obra, tão concentrado na leitura como um indiano em suas orações. Como se vê, os livros literalmente permeiam as tramas da vida.
A princesa na torre de livros. Leonardo Wen/Folha Imagem
Há quem diga que os livros espiam o leitor e descobrem muito mais do que o próprio leitor diante das páginas da obra. A ver por esta bela foto, a impressão é de que a jovem, enquanto lê, é lida e espiada, numa intensidade muito maior, pelos livros que a cercam, como se presa estivesse em uma torre num castelo de fábula. Se haverá herói para salvá-la, ou se seus cabelos poderão tocar o chão, jogados do alto, nada se pode afiançar. Certo é que, em meio a tantos livros, ela nunca vai desejar se libertar da cativante e imprescindível liberdade da... leitura.