Leio, logo existo Foto de Rodrigo Martins São Paulo-SP 2009
Para muitos, somos exatamente aquilo que compreendemos da vida. E compreender significa ter a possibilidade de escolher. Mas como se pode fazer uma opção quando, aparentemente, não se tem escolha? A máxima de Descartes, que buscava um caminho para se chegar à verdade, trata desse tema. É na dúvida que, de certa forma, existimos. E é a dúvida que nos faz evoluir. Uma evolução que devemos buscar, incessantemente, pelo caminho mais perene e salutar: a leitura. Porque mesmo que os pés estejam descalços, e as roupas rotas e sujas, a alma será sempre nova a cada palavra bem-vinda pelos olhos de quem se sabe leitor. Saibamos todos que os livros não mudam o mundo. Os livros só mudam as pessoas. São as pessoas, pois, que devem transformar o mundo. E, quanto a isso, não há dúvida.
De onde nascem os sorrisos? Foto Revista Crescer 2009
Dizem que, quando a gente vai crescendo, nossos sorrisos vão acabando, aos poucos. É como se o sorriso nascesse na barriga da mamãe, passasse pela infância e, devagarinho, fosse desaparecendo. Por isso também dizem que os adultos sorriem tão pouco. Será? Imaginação à parte, o sorriso de uma criança é como uma varanda, sendo inundada pelo sol. E a janela aberta está desenhada bem ali, na frente da pequena leitora, no livro que sorri junto com ela. Se queremos carregar o sorriso por toda a vida, melhor não deixar a criança que existe em nós se perder por aí, sozinha. E se quer uma dica para isso, dê livros a seus filhos, e, aproveite: leia junto com eles e volte a sorrir como criança.
Até onde se pode chegar com um livro? Para muitos, esse caminho é literalmente infinito. Pois as histórias são apenas ponto de partida de um porto que se avista, mas, assim como o horizonte, não se pode delimitar. E enquanto o livro nos leva a tantos e inimagináveis lugares, nós também o levamos, na bolsa, entre os cadernos da escola, na mala de viagem, na memória. Juntos, foram encontrados pelo pintor norte-americano Jim Warren, que fez desse encontro um casamento perfeito, quando livro e leitora já não são dois, mas apenas um. E docemente não se sabe quem levou quem a que lugar...
O menino maluquinho por livros Blog Perspectiva Porto Alegre / 2007
Ao fundo, percebem-se os estandes da Feira do Livro de Porto Alegre, enquanto Alan Walter, sentado no ponto de ônibus, espera, ansioso. Não o ônibus, mas o final da história escrita por Ziraldo. Olhos grudados no livro, Alan não se liga mais ao mundo de fora. Está do lado de dentro das páginas de O Menino Maluquinho. Quando sair, será um novo Alan, transformado. Mais menino, mais humano, mais maluquinho por livros.
Pai, conta uma história? Foto: Ana Fonseca Bienal de Pernambuco
De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a mãe é a referência para os filhos quando o assunto é leitura. Um em cada três leitores tem lembranças da mãe lendo algum livro, 49% deles têm na mãe sua grande incentivadora no processo de ler por prazer e, entre as crianças de 5 a 10 anos, 73% citam as mães como quem mais as estimularam a ler. Diante disso, o Instituto Pró-Livro lançou até uma campanha, durante a Bienal do Rio, com o mote: "Mãe, você lê pra mim?". A imagem em destaque mostra que os pais também estão mais atentos nessa questão. A foto foi tirada durante a Bienal de Pernambuco, que também poderiar aproveitar a onda e lançar outra campanha de incentivo à leitura, como, por exemplo: "Pai, conta uma história?".
Sentir cada palavra Portal Curiosando Fotomontagem de Rodrigo Piva
Uma boa leitura tem muitas receitas. Mas, sem dúvida, uma delas é quando se encontram leitor e texto como num abraço, até a última e derradeira página. Muitas vezes, ainda, além até do ponto final da história. Ler, assim, é beijar o beijo esperado de um romance. É sentir um arrepio de medo quando o herói ou a heroína não sabem que o perigo está atrás da porta. Ler é sentir-se de mãos dadas com sua personagem favorita. É roçar os pés um no outro quando o clímax se aproxima. É como olhar, indiscretamente, pela janela, porque a cena do outro lado é irrecusável ao leitor. Ler, sem nenhuma restrição, é sentir cada palavra, como uma chuva que molha o peito de uma sensação inexplicável de bem-estar.
Quem está lendo quem? Pintura de Franz Eybl “Quando estamos lendo, também somos relidos pelo livro. E é nessa releitura que a obra nos leva a questionar sobre nós e sobre os acontecimentos que nos cercam.” A afirmação é do escritor Luiz Puntel, um dos maiores de infanto-juvenis do Brasil, durante evento realizado pelo Clube de Leitura da Fundação Palavra Mágica, em março deste ano, em Ribeirão Preto. Uma explicação que cai muito bem, diante desta pintura, em que uma menina, suspensa pela história, parece, a um tempo que lê, também estar sendo lida pelo livro. Uma troca tão bela quanto a própria obra do pintor austríaco, feita em 1850.
Floresta de leitores Ilustração de Jonathan Burton Portal Diários da Bicicleta
Assim como há a Floresta de Livros, já mostrada neste espaço, há também uma espécie de floresta de leitores. Pelo menos é o que indica a ilustração intitulada Feriado no País das Maravilhas. Se na imaginação do desenhista é necessário um dia livre para ler, na realidade de qualquer país que se preocupa com o presente e com o futuro de seus cidadãos, ler é imprescindível para ser livre todos os dias.
A gente não quer só comida Portal Thomerama Foto de André Kertész
Enquanto come um doce, ou toma um sorvete - não se verifica ao certo pela imagem - o menino se alimenta das histórias em quadrinhos nos jornais espalhados pela calçada. Sua atenção está muito mais entregue à leitura do que ao alimento. Parece preferir a aventura da história, que preenche a alma, ao doce, que pode ser conseguido em alguma esquina. O que talvez não lhe aconteça com a leitura. Ainda, não é possível atestar que ele esteja, de fato, lendo. E se não o estiver, sua imaginação dá conta do recado, com os desenhos que dão cor à aventura. Se uma imagem vale mais do que mil palavras, o fotógrafo húngaro André Kertész (1894-1985), por esse registro de 1944, disse todas elas com esse inquietante retrato da sociedade.
Quem disse que as histórias não saem realmente dos livros? Para provar que isso é verdade, ou pelo menos em parte, o músico e educador Carlos Luiz faz suas andanças levando por aí um livro gigante, do qual, literalmente, saem os personagens que encantam crianças e adultos por todo o Brasil. E são esses leitores-espectadores que ajudam a contar todas as aventuras. A cada página, uma nova surpresa, um mistério a ser desvendado ou um vilão terrivelmente mau. E se você quer saber o capítulo seguinte dessa história, visite www.livrovivo.net e veja o que vem por aí.
Um ponto central do Brasil Posto do programa Escreve Cartas Foto de Frederic Jean - Época
No detalhe da imagem, a personagem Dora (Fernanda Montenegro) escreve cartas para analfabetos na estação ferroviária localizada no centro do Rio de Janeiro, chamada Central do Brasil - nome que dá título ao filme de Walter Salles. A foto em preto e branco é de Frederic Jean, para a Revista Época, e retrata o programa Escreve Cartas, que funciona em cinco postos do Poupatempo na capital paulista e em três cidades da Grande São Paulo. O projeto, inspirado no filme, tem como base dados do IBGE que revelam que 14,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais são analfabetos. A eles somam-se os analfabetos funcionais, com menos de quatro anos de estudo. No total, o país tem 45 milhões de iletrados. Definitvamente, criar oportunidades para que se aprenda a ler e escrever é um ponto central do nosso País, cujo grande desafio é transformar vagões de esperança em uma grande estação de leitores.
Um mundo melhor é possível Colégio Farroupilha Campinas-SP
No primeiro semestre deste ano, o colégio Farroupilha, em Campinas-SP, realizou sua 3ª Feira do Livro e espalhou a notícia sobre o evento com a bela imagem em destaque. Uma foto que poderia muito bem sintetizar o caminho que se almeja com a boa política pública. Enfim, todas as ações de governo deveriam estar pautadas pelo encontro de uma criança com a leitura. E, em breve, teríamos a resposta para muitos de nossos questionamentos. Por isso, temos a clara convicção de que um mundo melhor, sim, é possível. E isso se faz pelos tijolinhos mágicos da educação, dos livros e da leitura.
Criada em 28 de abril de 1891, a Imprensa Oficial do Governo do Estado de São Paulo é, de fato, testemunha da história do País e do mundo. De gráfica à editora, seu papel é de relevante interesse para a formaçao de cidadãos, pelo caminho educador da leitura. E o fez deixar isso claro pela bela imagem acima, como marca publicitária, ao levar o livro e as palavras para o alto. Como se assim pudesse revelar não só a viagem, como no seu slogan, mas a necessidade de voar e se saber livre pelas asas da leitura.
Em 2008, a teoria da seleção natural, apresentada por Charles Darwin, completou 150 anos. Em 2009, ele próprio comemoraria 200 anos de nascimento. Contestado por uns, desconhecido por outros, aplaudido por tantos demais, o fato é que o britânico mudou o pensamento mundial. Ou, pelo menos, fez com que muitos pensassem a respeito do tema. De onde viemos, afinal? Enquanto se busca a resposta, fica o sentimento de que evoluir sempre esteve em cada um de nós, primatas ou não. E esse caminho, indubitavelmente, passa pelo instinto da leitura. Uma "revolução" natural, da qual ninguém pode se privar.
Enquanto milhares de pessoas se debruçam sobre códigos e fórmulas para vencer a corrida e oferecer o livro eletrônico mais prático e barato, os artistas tratam o assunto com bom humor. Foi o que fez Grizelda, com seu cartoon Page Not Found, numa boa sacada sobre a polêmica disputa entre livros virtuais e de papel. O tema continua dando o que falar. E, de tudo o que se vê, fica o desejo de que, em tempo algum, essa história acabe com "uma página vazia". Fiquemos, assim, com Castro Alves: Oh! Bendito o que semeia / Livros ... livros à mão cheia ... / E manda o povo pensar! / O livro caindo n'alma / É germe – que faz a palma / É chuva – que faz o mar.